Casal Sarkozy troca chamegos em show no Rio

Heloísa Tolipan, Jornal do Brasil

RIO - Ooh la la! A França, ao que parece, já é aqui. Na noite de lançamento informal do Ano da França no Brasil (oficialmente, as atividades só começam em abril), nesta segunda-feira, no Vivo Rio, o palco que recebeu Gilberto Gil e Lenine ganhou o acento francês de Charles Aznavour.

O mestre da chanson française preferiu não arriscar e mandou os carros-chefes La bohème e Le temps a uma platéia que incluía Nicolas Sarkozy e Carla Bruni-Sarkozy. Com direito até a cenas de carinho: Carla passou toda a apresentação de Aznavour com a cabeça encostada no ombrinho do marido.

De tailleur lilás, bolsinha toilette roxa a tiracolo, sandálias rasteiras e pouca maquiagem, a primeira-dama francesa saltou do carro de mãozinhas dadas com Sarkozy e não o largou a noite inteira, desde o coquetel fechado para o empresariado francês, em um anexo do MAM, até ocupar os lugares dentro da casa de shows. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Marisa Letícia, do governador Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo, Carla e Sarkozy se sentaram na primeira fileira do mezanino.

Mestre-de-cerimônias da noite, Glória Maria chamou ao telão alguns flashbacks do primeiro intercâmbio cultural entre os dois países, há 3 anos, quando os artistas verde-amarelos cantaram e encantaram os franceses por lá, no Ano do Brasil na França.

Do lado de fora, no entanto, apitos ecoavam da boca de cerca de 20 manifestantes do grupo "O Rio em nossas mãos", liderado por Daniela Duque, mãe de Daniel Duque, jovem de 18 anos que morreu na porta de uma boate na zona Sul, em junho.

Com um painel forjando um ciclo e intitulado "Crime Perfeito" "Polícia mata, Justiça endossa, governantes se omitem e inocentes morrem todos os dias" eles ofereciam aos convidados e à imprensa estrangeira um "souvenir" do Rio: as estatísticas de 16 mil mortos em 2 anos e mais de nove mil desaparecidos, no mesmo período de tempo.