Acusado de matar João Roberto é condenado a serviço comunitário

Ana Paula Verly, Jornal do Brasil

RIO - Acusado de matar João Roberto Soares, de 3 anos, com um tiro na nuca, em julho, o cabo PM William de Paula foi condenado a prestar sete meses de serviços comunitários. A decisão foi tomada, por unanimidade, pelo 2° Tribunal do Júri, no Centro. Os juízes consideraram que houve crime de lesão corporal leve e não homicídio. A família da vítima considerou a pena branda demais.

Diante dos jurados sete homens e uma mulher o PM afirmou ter confundido o carro da mãe do menino com o de criminosos que estava perseguindo, na Tijuca. William disse acreditar que o disparo que atingiu João foi feito durante a perseguição.

O Ministério Público denunciou William e o soldado Elias Gonçalves Neto por homicídio duplamente qualificado e tentativa de homicídio contra a mãe e irmão de João Roberto, a advogada Alessandra Amorim Soares, 35, e Vinícius Soares, então com nove meses. João Roberto foi atingido por três tiros, um deles na cabeça.

O menino estava no banco traseiro do carro da mãe, que parou na Rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca, Zona Norte, para dar passagem à patrulha da PM onde estavam William e Elias, ainda sem julgamento marcado.

Os dois PMs, segundo William, patrulhavam a Tijuca quando receberam um chamado de socorro de outra equipe policial. Ao ligarem a sirene e os faróis, um Fiat Stilo preto começou a fazer manobras em ziguezague, o que os levou a iniciar uma perseguição.

Ao entrarem na General Espírito Santo Cardoso, um dos bandidos teria começado a atirar. O policial teria revidado com uma rajada de fuzil.

Em um trecho escuro da rua, viram o Pálio Weekend grafite de Alessandra, perfurado a bala e que, ao ser cercado, teria dado um tranco. William contou ter feito dois disparos de advertência um acertou o pneu e o segundo, outro carro.

A versão de William contradiz uma testemunha, Maurício Magalhães, morador de um apartamento na General Espírito Santo Cardoso. Ao depor, ele contou que viu um veículo preto entrar na rua em alta velocidade, seguido do carro da polícia, mas os tiros só foram disparados depois, do outro lado da rua.

William está há 11 anos na PM e há três sem curso de reciclagem. Já esteve envolvido em, pelo menos, dois autos de resistência (morte em confronto com a polícia).

Em depoimento, a mãe de João Roberto lembrou ter ligado a seta para encostar o carro e dar passagem à polícia, que mesmo assim atirou.

Gritei (para João Roberto) "abaixa, abaixa", porque tinha começado a ouvir os tiros, mas quando olhei para trás de novo ele já tinha sido baleado. Abri a porta e joguei a bolsa de criança para fora, para mostrar que havia crianças no carro contou, emocionada.