BNDES aprova R$ 1,6 milhão para restaurar matriz de Mangaratiba

JB Online

RIO - A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba será restaurada com o apoio do BNDES, no valor de R$ 1,6 milhão. Os recursos não-reembolsáveis foram aprovados e serão destinados à recuperação estrutural e artística da igreja, cujo estado precário requer revisão hidráulica, elétrica e nos acabamentos e altares.

A igreja foi erguida, a princípio, como uma capela, e assim permaneceu até 1785, quando foram iniciadas as obras para a construção de uma igreja maior, no mesmo local, pelo padre Salvador Francisco da Nóbrega. As obras prosseguiram durante 10 anos e a igreja foi concluída em 1795 pelo padre Joaquim da Silva Feijó. A igreja foi tombada pelo IPHAN em 1967.

A matriz foi construída em alvenaria e cal. Seu porte é pequeno, com paredes cujas bases têm espessura de 80 cm a 1m e no pavimento superior diminuem para entre 60 cm e 40 cm.

A torre do sino, localizada à direita, é revestida de azulejos portugueses semi-industriais, provavelmente do século XIX. A cúpula da torre possui sino em cada uma das suas quatro faces.

A construção tem nave única retangular forrada de lambri de madeira. O altar mor possui talhas douradas, quatro colunas ornadas com folhas de acanto, ladeando o nicho com a imagem de Nossa Senhora da Guia esculpida em madeira. O estilo é o do final do barroco e início do rococó duas fases artísticas do tempo do império. O piso é revestido de ladrilhos hidráulicos, provavelmente do início do século XX.

A ocupação das terras onde hoje se encontra o município de Mangaratiba teve origem ainda no século XVI, por ocasião das desapropriações das capitanias hereditárias. Essas terras pertenciam à capitania de Santo Amaro, cujo donatário, Pero Lopes de Souza, pouco se interessou por seus domínios.

Por volta de 1620 se iniciou o povoamento da capitania, quando Martin de Sá, novo donatário, mandou trazer índios tupiniquins, já colonizados, de Porto Seguro. Eles se estabeleceram em aldeamentos, tutelados pelos jesuítas, na praia da Ingaíba. Por causa dos fortes temporais que assolavam Ingaíba, em 1688 a povoação foi transferida para o local onde hoje se localiza o Núcleo Urbano de Mangaratiba.

O projeto de restauração da matriz prevê que todo o revestimento deteriorado receba novo emboço. A estrutura de madeira do telhado será trocada e serão recuperadas portas e janelas. Ladrilhos quebrados serão substituídos por novos e o piso receberá tratamento especial.

O salão paroquial ganhará dois novos banheiros e uma copa. O forro será substituído por tabuado de ipê corrido revestido com pintura branca. Por ter sido construído irregularmente junto à igreja, será necessária a demolição de anexo que a descaracteriza.