Moradores vão procurar MP para impedir Réveillon no Aterro

JB Online

RIO - Três Associações de Moradores da Zona Sul carioca estão unidas para impedir o réveillon programado para o Aterro do Flamengo. Para eles, trata-se de mais uma festa que deverá reunir milhões de pessoas, contando com Djs e Escola de Samba e transformando o local em 'terra de ninguém'.

Representantes de cada uma delas (Associação de Moradores do Morro da Viúva Amov, da Associação dos Moradores do Flamengo Flama e da Associação de Moradores de Botafogo) estão preparando um ofício que será encaminhado para o Ministério Público, solicitando o cancelamento da Festa.

Segundo a presidente da Amov, Maria Thereza Sombra, o planejamento da Euromusic, que financiará a festa, prevê 16 ambulâncias, seguranças particulares e curralzinho vip, com previsão de 800 mil pessoas.

- Há 14 anos vem sendo realizada a festa de réveilon na Praia do Flamengo, mas sempre com um cunho familiar, onde os moradores da região vão a pé, brindam o novo ano e logo depois vão embora, ficando poucos no local. Agora com uma festa desse porte, o caos é inevitável, atrapalhando inclusive os moradores com o som altíssimo- explica Maria Thereza.

Segundo ela, o Aterro do Flamengo vem sofrendo muito ao longo dos anos com mega eventos que ocasionam depredação, algazarra e violência para a região.

-O Aterro do Flamengo é tombado desde 1965, essas festas representam uma agressão ao patrimônio público e um desrespeito a história não só do local como do Rio de Janeiro. Afinal, estamos falando de um dos principais cartões postais da Cidade - conclui.

No primeiro semestre desse ano, autoridades e presidentes de associações de moradores foram pela primeira vez convocados pela Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual para debater os shows nas praias cariocas, quando houve um consenso: os eventos precisam ser planejados com seis meses de antecedência e não em oito dias, como costuma ser feito.

Segundo Maria Thereza, na ocasião uma das áreas que deveria ser beneficiada foi o próprio Aterro do Flamengo. Segundo ela, a idéia é que ele seria poupado de receber eventos que atraiam multidões.

- Só em 2007 foram 90 -, lembra Maria Thereza, acrescentando que em 2006 a AMOV conseguiu impedir o show do Zeca Pagodinho pelos mesmos motivos.

Segundo relatórios apresentados, entre os prejuízos que os megaeventos, produzidos em freqüências cada vez maiores, acarretam às localidades estão a depredação ambiental, o trânsito e o barulho que transtorna quem vive ali.

Em outubro do ano passado, moradores do Flamengo se revoltaram contra uma corrida de automobilismo promovida pela Petrobrás, relatando galhos destruídos e sujeira deixada no local.