Morte de sul-africano aciona alerta no Ministério da Saúde

Felipe Sáles, JB Online

RIO - A morte ontem de um empresário sul-africano de 53 anos com sintomas de febre hemorrágica acionou o alerta no Ministério da Saúde. Por precaução, o paciente chegou a ficar isolado na Casa de Saúde São José, no Humaitá, e seu caixão chegou a ser lacrado, uma vez que ainda não se sabe qual vírus provocou a febre hemorrágica. O temor das autoridades se deve ao fato de a África do Sul, em outubro, ter descoberto um novo vírus transmitido por contato direto que provoca febre hemorrágica altamente letal.

O Ministério da Saúde, em nota, informou que a suspeita é de que o caso seja leptospirose, hantaviroses e hepatites e já descartou ebola, malária e dengue. Segundo a nota, o vírus suspeito de ter provocado a morte do sul-africano foi justamente um arenavírus, o mesmo tipo descoberto pelo Instituto Nacional de Doenças Infecciosas de Johanesburgo, na África do Sul. O novo vírus ainda não tem nome e é altamente letal.

Não se sabe o dia em que o empresário desembarcou no Rio, mas ele chegou a ser atendido na emergência de um hospital da Barra da Tijuca na semana passada. A Casa de Saúde São José, por precaução, deixou o paciente numa área isolada para não correr risco de contaminar médicos e pacientes. Os passageiros que estavam no mesmo vôo do sul-africano também estão sendo contactados para ficarem em observação.

O Ministério da Saúde, porém, informou que não é recomendada a realização de quarentena, pois o contágio só ocorre após o aparecimento dos sintomas . O período de incubação é entre sete e 16 dias. Ainda de acordo com o ministério, suspeita-se que o vírus seja transmitido por contato direto com secreções de roedores ou de pacientes infectados.

Não há relato de sintomas semelhantes entre os profissionais que tiveram contato com o paciente, mas as pessoas já foram identificadas pelo ministério e estão sendo monitoradas. Os exames do paciente já foram enviados para análise do Instituto Adolf Lutz, em São Paulo, e amostras de sangue também foram enviadas para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O Ministério da Saúde, por sua vez, também já comunicou o caso à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O Consulado da África do Sul, no Rio, também foi contactado para tomar as providências quanto ao translado do corpo. Técnicos do governo federal estão no Rio acompanhando as investigações.

Atualmente, a África do Sul que vai sediar a Copa do Mundo de 2010 vive um surto de cólera. Desde agosto, pelo menos 425 pessoas morreram e 11 mil já foram infectadas. A maior parte dos doentes passaram pela cidade de Zimbábue.