Bicicletário da PUC fortalece disputa entre Diretórios de Estudantes

Bruna Talarico, JB Online

RIO - Os quilômetros que separam a casa de Lehonna Teles, no Humaitá, da Universidade Católica do Rio, na Gávea, são caóticos. Mas para ir e voltar das aulas, a estudante de direito de 24 anos adotou, há dois, a bicicleta como meio de transporte. O hábito saudável, no entanto, teve que ser paralisado durante quatro meses, quando uma obra no antigo bicicletário da universidade impediu os alunos de guardarem suas magrelas e ganhou a pauta da vida acadêmica.

Foi escolhido um período muito pequeno para as obras, que coincidiram justamente com as eleições para o Diretório Central dos Estudantes enfatiza. Muitos de nós ficamos sem ter onde colocar as bicicletas, prendendo em árvores e lixeiras.

Lehonna pôde retomar o hábito na quinta-feira da semana passada, quando a nova instalação, fruto de um acordo entre a Prefeitura da cidade e uma seguradora privada, foi finalmente inaugurada. Mas outros alunos não foram tão persistentes e abandonaram a prática.

Não é que o novo bicicletário seja ruim, mas os quatro meses de obras fizeram com que muitos alunos perdessem o hábito. O uso é menor agora. A gente pode dizer que o bicicletário está para a PUC assim como a Cidade da Música está para o Rio de Janeiro compara Anderson Ignacio, 24 anos, estudante de História e assistente estudantil do novo DCE, empossado ontem à tarde. A história surgiu do nada. Não houve justificativa para uma intervenção dessas. É uma questão de prioridade, o antigo DCE podia ter se preocupado primeiro em como contribuir com os alunos que são bolsistas.

Glaucio Monteiro Júnior, 24, coordenador acadêmico do novo DCE e estudante de Relações Internacionais, é mais enfático. Ele lembra que o antigo presidente do DCE, Marcelo Queiroz, candidatou-se ao cargo de vereador nas eleições municipais de 2008 pelo DEM, partido do prefeito Cesar Maia.

Parece que foi uma jogada de marketing. No panfleto da candidatura o novo bicicletário já era apontado como uma das principais realizações, e as obras nem tinham começado lembra. É um tema polêmico. O importante é que o bicicletário já existia. Não da forma como está hoje, com cobertura, mas supria as necessidades dos estudantes.

Marcelo Queiroz afirma, entretanto, que os projetos foram concebidos por alunos da própria universidade, e que o bicicletário antigo nunca foi removido dos domínios da instituição. Sobre as acusações referentes a seu panfleto de candidatura, ele afirma não constarem os itens descritos pelos novos integrantes do DCE.

- É uma disputa acadêmica. O bicicletário antigo foi transferido para outro lugar, e não removido. São esses detalhes que fazem a diferença - ressalta.