Prepare seu bolso: o coco vai subir no verão do Rio

Carlos Braga , Jornal do Brasil

RIO - Não, a crise econômica mundial não escolheu o coco para desembarcar nesta terra. O iminente aumento de preço que a fruta sofrerá, entre 20% e 25%, assim que as praias começarem a ficar lotadas de turistas, é quase uma tradição carioca. Atendentes de quiosques instalados na orla de Ipanema e Leblon já dão como certo o encarecimento do produto.

Quem o vende por R$ 2 passará a cobrar R$ 2,50, os que o anunciam por R$ 2,50 o farão por R$ 3. Ninguém arriscou o dia exato em que se salgará o preço de uma das bebidas preferidas da cidade, mas quem costuma sair com o dinheiro contado para a água de coco deve começar a se preparar.

Vai para R$ 2,50 a unidade. Os fornecedores dizem que há pouco coco, pelo menos é o que eles falam. Alegam que agora eles têm que ir à Bahia comprar, em vez de buscá-lo no Espírito Santo explica Carlos José Amorim, que vende cerca de 200 cocos por R$ 2 num sábado de sol, comprados a R$ 1 do caminhão que passa de manhã.

O economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que a subida dos preços do coco não chega a constituir um processo inflacionário. O aumento da demanda causado pela afluência de turistas à cidade justificaria a "garfada" que os donos de quiosque preparam para breve. E, segundo a previsão de Braz, a coisa não vai parar no coco. Cerveja, aluguel de barraca e de cadeiras na praia também estão com viés de alta.

Isso é normal. Toda cidade turística recebe um grande número de visitantes, e os quiosques ficam mais competitivos, têm maior demanda. É que nem roupa. Coleção nova chega com um preço e depois cai. É como a inflação da camisinha no carnaval, época em que esse produto é muito procurado compara Braz.

Movimento no fim de semana

Num sábado ou domingo de sol, quiosqueiros conseguem vender até 300 cocos. Em dias nublados, menos da metade. Todos compram a fruta por R$ 1 de caminhões que circulam pela orla na parte da manhã.

Para os moradores da beira-mar de Ipanema e Leblon, porém, esse movimento dos veículos, que passam buzinando para os barraqueiros a partir das 6h30, estraga as manhãs dos fins de semana.

É horrível, nos dias que podemos dormir até tarde, essas buzinas dos vendedores de coco e de gelo são irritantes desabafa o engenheiro Ernesto Luz, morador da Avenida Vieira Souto.

Como moram em Portugal, e passam férias no Rio, as amigas Sofia Manso, 21 anos, Patrícia Fernandes, 25 e Margarida Barbosa, 24, desconhecem o sofrimento dos moradores para que elas possam saborear o líquido de que tanto gostam. Problema, para elas, é achar o coco verde na terra natal. Dizem ter lido uma reportagem que informava a existência de uma senhorinha que vendia o produto à maneira dos cariocas.

Gosto muito de água de coco, mas em Portugal é muito difícil de achar. Quando venho ao Rio sempre bebo contou Sofia, fazendo uma careta ao saber que turistas americanos haviam pedido pimenta para comer com a polpa do coco.