Instalação de novo sistema de estacionamento do Rio gera confusão

Carolina Bellei, Jornal do Brasil

RIO - O primeiro dia do novo sistema de estacionamento na chamada Área Azul, na Zona Sul do Rio, causou muita polêmica e confusão. Nesta segunda, os guardadores de carros do agora proscrito Rio Rotativo também conhecido como Vaga Certa não aceitaram ser substituídos pelos funcionários da Embrapark, empresa espanhola que venceu a licitação da prefeitura em janeiro para gerenciar 9.049 vagas nos bairros do Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon, Gávea, Lagoa e São Conrado. Com a recusa, houve briga, detenção e até denúncia de ameaça de morte. O Sindicato dos Guardadores Autônomos do Estado (Singaerj) alega que o edital de concessão é ilegal.

De acordo com a Embrapark, um carro com quatro pessoas circulou por Ipanema ameaçando os funcionários da empresa. Uma das pessoas estaria armada. Em Copacabana, seis guardadores que se recusavam a deixar seus pontos foram detidos pela polícia e depois liberados. Com a confusão, até os usuários ficaram na dúvida, sem saber qual talão deveriam usar.

Os funcionários contratados não têm inscrição no Ministério do Trabalho, o que contraria um decreto federal, e o edital cobra um valor inferior ao anterior, caracterizando renúncia de receita. Já temos parecer favorável do Tribunal de Contas do Município e aguardamos uma liminar reclamava Eduardo Luiz da Silva, diretor do Singaerj, enquanto esperava a liberação dos guardadores detidos na 13ª DP (Copacabana).

O Singaerj argumenta que a atividade é regulamentada por legislação federal Decreto 77.797/77, assinado pelo presidente Ernesto Geisel que obriga a filiação dos guardadores a sindicatos, cooperativas ou associações de classe. Os funcionários da Embrapark não preencheriam tal requisito.

Sérgio Leite, gerente-geral da Embrapark, nega as acusações e diz que o sindicato distribuiu circulares para os filiados pedindo que não aceitassem as propostas de trabalho feitas pela nova concessionária. Segundo o gerente, a empresa começa a aturar apenas com 30% do quadro sindicalizado, enquanto a expectativa seria de 90%.

Levantamos todos os autônomos. A essência do sindicato não é comércio diz Leite, sobre a arrecadação do Singaerj com os talões de pagamento.

De acordo com o delegado titular da 13ª, Luis Alberto Antunes, os guardadores detidos não cometeram crime, conforme denunciou a prefeitura.

Todas as pessoas apresentadas foram registradas apenas como um fato atípico. Não vejo incidência de crime de conduta penal ponderou Luis Alberto. Não compete à polícia analisar atos da prefeitura.

Na semana passada, o Diário Oficial publicou que a partir do dia 10 (ontem), a Embrapark começaria a atuar. Do total de 5.100 guardadores credenciados na Delegacia Regional do Trabalho (DRT), 1.600 atuariam na Zona Sul, onde a empresa pretende operar com 500 guardadores.

Os sindicalizados temem o desemprego.

Não sou bandido nem ladrão protestou Antônio Gonçalves, que trabalha há 10 anos na Rua Barão de Ipanema, em Copacabana.

Regina de Castro está há 11 anos na Avenida Atlântica e garante contar com o apoio dos moradores.

Todos aqui me conhecem. Como somos dispensados de uma hora para outra sem nenhuma explicação? Temos família. Se a empresa tivesse nos chamado, mas vão colocar todos na rua.

Os novos operadores vão receber da Embrapark salário fixo de R$ 600, mais benefícios. De acordo com Gutenberg Silva, de 37 anos, um dos novos empregados da empresa, a quantia é inferior e, por isso, os autônomos não teriam se interessado pela proposta da nova concessionária. O sindicato, porém, nega o convite ou sequer alguma conversa nesse sentido.

Com o esquema do Rio Rotativo, os guardadores, dependendo da área, conseguiam tirar até mais de R$ 1 mil. Eles não aceitaram um salário mais baixo informou Gutenberg.

Marcenildo Lobo, que trabalha há cinco na orla do Leme, também nega a proposta da Embrapark:

Se eles querem mudar o esquema, estão no direito deles. Mas não podem deixar tantas pessoas desempregadas. Todos queremos trabalhar. Deveriam ter nos consultado, já temos experiência. Seríamos úteis à empresa.