Favela de ripa surge na cabeceira da pista

Janaína Linhares, Jornal do Brasil

RIO - Ripa ao lado de ripa. Assim, de forma silenciosa e gradativa, surge uma nova favela na cabeceira de uma das pistas do Aeroporto Internacional Tom Jobim. As construções de madeira, que antes serviam apenas de abrigo para os porcos de moradores da favela Parque Royal, encostada na Baía de Guanabara, hoje, já servem de moradia para famílias. Um risco para os moradores e passageiros. A área pertencente a União é administrada pela Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero).

Procurada pelo Jornal do Brasil, a Infraero negou que as construções ilegais que se alastram próximo ao local de pouso e decolagem façam parte de uma nova favela. De acordo com o gerente de segurança da empresa, Maurice Baumet, apenas porcos habitam o local.

O Aeroporto está cercado por comunidades e os moradores que podiam fazer o que quisessem nesta área declarou Maurice Baumet. Aquilo não é propriamente uma favela. As pessoas criam animais ali. Há muito tempo criavam cabras, agora são construções de madeiras onde cresceram os chiqueiros.

Não é o que diz o segurança da região Michel Pinheiro. Segundo ele, famílias inteiras vivem entre os porcos.

Sempre ouço que ali tem chiqueiro e galinheiro, mas sei que tem família morando também declarou o segurança. O aeroporto não faz nada. Vão esperar a favela crescer e chegar aqui na estrada.

De acordo com Baumet, a Infraero já está tomando providências para que o local seja desocupado.

Ali não é terra de ninguém. Pertence à Aeronáutica, mas está sendo passada para a Infraero afirmou. Já identificamos dois responsáveis pelas construções que estão sendo notificados.

A assessoria de comunicação da Prefeitura do Rio informou que pelo fato de o terreno ser área militar nada pode ser feito para conter a favelização na região.

Riscos de acidente aéreo

Caso as construções evoluam de fato para uma grande favela, as possibilidades de que a falta de saneamento básico e coleta de lixo, comuns nas comunidades do Rio, transformem o local em moradia e reprodução de urubus é grande. Com isso, os riscos de que esses animais causem acidentes ao colidir com a turbina dos aviões que pousam e aterrissam todos os dias podem se transformar em um problema ainda maior.

Estudo realizado pelos pesquisadores Christian Netzel e Marcello Espinola Paraguassú de Sá, da Fundação Getúlio Vargas, demonstra que no caso da colisão com uma aeronave, um único pássaro tem o potencial de causar danos severos, levando em alguns casos a perda total da aeronave, sua tripulação e passageiros . A existência de favelas e de conjuntos habitacionais de população de baixa renda com precária infra-estrutura de saneamento básico próximo ao Tom Jobim, diz o estudo, estimulam a presença de aves no local.

Mas, na avaliação de Baumet, pelo fato de as construções se restringirem a chiqueiros , a região dos arredores do Aeroporto Internacional não sofre riscos.

Eles estão longe dos muros do aeroporto, apenas quando decola dá para ver. Não há nenhum prejuízo ou risco para nós, a questão é no sentido da higiene. Nosso problema são as garças que vivem na Baía de Guanabara, há anos não temos colisões com urubus.