Falta de recursos do Estado ameaça expansão de Universidade de Campos

Denise de Almeida, JB Online

RIO - O reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Almy Júnior Cordeiro de Carvalho, declarou que os recursos que serão liberados pelo Estado em 2009 estão abaixo das necessidades da instituição. Almy defendeu a proposta orçamentária aprovada pelo conselho da Uenf de R$ 248 milhões em vez dos R$ 94 milhões previstos pelo governo.

-O Conselho Universitário da Uenf aprovou uma proposta orçamentária que nós acreditamos que contemple o necessário para para viabilizar a tão esperada expansão da Uenf pelo Norte e Noroeste Fluminense comentou Almy.

Segundo o reitor, o dinheiro será empregado na ampliação do campus de Macaé, onde funcionam os laboratórios de engenharia de petróleo e de meteorologia, de Campos, e na criação do campus de Itaperuna, no Noroeste Fluminense. As verbas também serão usadas

na recomposição salarial dos 300 professores e de cerca de 580 funcionários.

Almy esteve na Comissão de Educação, da Assembléia Legislativa (Alerj), no início deste mês, para participar da primeira de uma série de reuniões para debater o orçamento do Estado dedicado às universidades públicas. A presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf), Andrea Veto, que também esteve na Alerj, explicou que, por causa das perdas salariais, há uma grande evasão de profissionais. Só para o pagamento de pessoal seriam necessários R$ 105 milhões, enquanto o governo prevê R$ 68 milhões.

A escassez de recursos vai prejudicar a execução dos projetos da instituição. A universidade foi criada em 1993 e hoje tem 5 mil alunos, vindos principalmente do Norte e Noroeste do Estado, matriculados em 17 cursos de graduação - 15 presenciais e dois a distância - 13 programas de pós-graduação, além de oferecer cursos de extensão para os moradores da região. Segundo o Ministério da Educação, a Uenf é a única universidade estadual entre as 15 melhores do país.

-Sabemos que a negociação não é fácil, porque todas as demandas convergem para o momento da elaboração do Orçamento Estadual, mas vamos negociar junto ao governo e à Assembléia Legislativa a proposta da Uenf - disse Almy. - Acreditamos que a expansão da educação superior pública pelas regiões mais carentes seja sempre uma prioridade para os governos conclui.

O presidente da comissão de Educação, deputado Comte Bittencourt (PPS), adiantou que vai debater a elaboração de emendas parlamentares, que garantam mais verbas para a universidade. De acordo com Bittencourt, os recursos para a Uenf, previstos na Lei Orçamentária Anual enviada pelo governo do Estado para a Alerj no dia 30, foram reduzidos em pelo menos R$ 2 milhões, em relação às verbas de 2008.