Largo do Boticário: entre pousadas e centro ecológico

Bruna Talarico, Jornal do Brasil

RIO - Após anos de abandono e degeneração dos telhados e fachadas que o fizeram conhecido, o Largo do Boticário, no Cosme Velho, poderá voltar ao circuito carioca de visitação. Atualmente, estudos de viabilidade abrangem a transformação do lugar tanto em um pequeno complexo para pousadas de charme como em uma fundação ecológica com cara de museu.

Contatada por Luis Claudio Kastrup, representante da proprietária dos imóveis do Largo, a arquiteta carioca Elizabeth de Portzamparc já tem planos para as duas possibilidades de uso do espaço, que tem como quintal a Mata Atlântica. Se abrigo da fundação ecológica, ainda não identificada, terá escritórios, auditórios e espaços para exposições relacionadas ao meio ambiente. Se destinado às pousadas de charme, de uma rede hoteleira européia também mantida em sigilo, o Largo contará com restaurante e lojas, além de quartos adaptados à cultura do patrimônio histórico.

As duas empresas são top afirma Elizabeth, agregando que uma preocupação do projeto consiste na preservação do contexto histórico do Largo. É uma realidade muito difícil a de conservar o patrimônio histórico e modernizá-lo ao mesmo tempo. O projeto tem uma inspiração importante na cultura do lugar. E isso requer uma reflexão mais aprofundada.

Representante de Cybil de Bitencourt, proprietária dos imóveis do Largo, Luis Claudio Kastrup explica que o assunto ainda está em estágio embrionário, apesar de serem viáveis as possibilidades de aproveitamento do conjunto arquitetônico.

A verdade é que as pessoas não estão indo com tanta sede ao pote. O custo de manutenção é alto e para fazer o investimento é preciso que se tenha certeza de que vale a pena avalia. Mas o projeto em si chega a ser interessante em excesso.

Segundo Marcus Monteiro, diretor-geral do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), qualquer tipo de alteração nos imóveis do Largo do Boticário, tombado, tem que ser autorizada pelo governo do Estado. O proprietário se beneficia automaticamente das leis de incentivo, como a Rouanet e a de Incentivo Fiscal, com base no ICMS, além da isenção de IPTU.

O uso que for dado não importa, desde que não descaracterize ou coloque em risco a estrutura das construções ressalta.

Revitalização das redondezas

Além de englobar as casas e a área do Largo do Boticário, o projeto da arquiteta Elizabeth de Portzamparc também abrange o entorno da praça pública localizada ao lado da subida para o Corcovado, tomada por ambulantes e desprovida de estabelecimentos gastronômicos.

Se arrumar a pracinha, melhora o conjunto todo acredita, enfatizando a necessidade de investimento. Quem sai do Corcovado com fome não tem onde comer, por exemplo. São essas coisas que fazem falta.