Jornaleiros reclamam da falta de policiamento no Centro do Rio

Janaína Linhares, Jornal do Brasil

RIO - De uns tempos para cá o medo se tornou um dos maiores companheiros dos jornaleiros no Rio. Muitos há décadas na profissão, agora eles se vêem obrigados a buscar recursos para tentar se proteger dos assaltos que a cada dia vem se multiplicando na cidade. O Jornal do Brasil percorreu parte da Avenida Rio Branco, no Centro, e apenas nas primeiras quadras da avenida, de 12 bancas visitadas, nove já haviam sofrido tentativa de assalto ou sido assaltadas.

Inconformados com a morte de Raul Conceição, baleado na terça-feira ao reagir a um assalto a sua banca, a reclamação por falta de policiamento no local foi unânime entre os jornaleiros. Raul foi enterrado na tarde desta quarta-feira no Cemitério de Inhaúma.

É mais fácil ver o Lula passando aqui na rua do que ver um policial declarou a proprietária de uma banca, Lúcia Ávila. Em 11 anos de profissão, já tive minha banca arrombada 14 vezes e fui encurralada por um homem armado. Dá medo, mas coloquei monitoria de alarme.

Diante da situação de insegurança, a opção encontrada por um jornaleiro que não quis se identificar foi contratar segurança particular para, quem sabe, ter mais calma.

Uma vez me embolei no chão com um assaltante. Já fez três meses resolvi colocar um segurança aqui. É ruim porque meu lucro diminui, mas é melhor assim.

Três assaltos em 30 dias

Diante do recurso de extorsão por telefone, crime que veio se tornando cada vez mais comum entre os bandidos nos últimos anos, o objeto mais visado na bancas pelos assaltantes são os cartões telefônicos das operadoras de celular. Há 45 anos no mesmo lugar, Salvador Martelo já foi assaltado mais de nove vezes apenas no mês passado foram três assaltos seguidos. Ele chegou a perder de uma vez só R$ 9 mil em cartão para recarga de celular e agora tenta quitar uma dívida de R$ 26 mil com os fornecedores.

Vendi meu carro e quando estava conseguindo pagar minha dívida fui assaltado de novo. Às vezes penso em fechar a banca, mas tenho família e não posso ficar sem trabalho declarou o jornaleiro. Não tenho sossego trabalhando aqui e agora parei de vender cartão. Fico o dia todo na porta com medo. Aqui não tem policiamento nenhum, parece um deserto.

De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Militar, o policiamento no local é ostensivo e se dá 24 horas por dia, se dividindo entre motos, viaturas e policiamento a pé. Ainda de acordo com a assessoria, não há condições de deixar um policial na porta de cada banca, pois a segurança deve ser flutuante.

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