Sobrado de Machado de Assis é tombado

Carolina Bellei, Jornal do Brasil

RIO - Imóvel foi invadido e está em condições precárias

Desde que entrou para o Corredor Cultural, em 1984, o imóvel em que viveu o escritor Machado de Assis, na Rua da Lapa, no ano de 1874, já era considerado patrimônio da cidade e por isso não poderia sofrer alterações na estrutura.

Mas hoje sai no Diário Oficial do Município o tombamento provisório do sobrado, como o JB antecipou em matéria publicada em julho no Idéias & Livros. Segundo o secretário municipal de Patrimônio Histórico, André Zambelli, na prática o que muda é que a medida é mais restritiva.

Antes o imóvel era parte de um conjunto de casas remanescentes do século 19 e 20. Agora ganha valor histórico e cultural por si só explica Zambelli.

De acordo com pesquisadores, achava-se que o imóvel estivesse sido demolido durante a urbanização do Centro da Cidade. Mas na verdade o que confundiu foi a mudança na numeração da rua, o casarão passou do número 96 para 264.

Depois de estudos realizado pela Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, presidente da entidade, encaminhou à prefeitura o pedido de tombamento da casa onde viveram Machado de Assis e sua mulher, Carolina Augusta e Novaes por 11 meses em 1874.

Sobrado em condição precária

Mas mesmo a tentativa anterior de preservação dos imóveis da área não protegeu o sobrado da degradação. Hoje, a fachada está pichada e a fiação elétrica clandestina esconde os detalhes do estilo neoclássico.

E no casarão que antes abrigava apenas um morador no primeiro andar e o casal Machado de Assis e Carolina, no segundo, hoje é ocupado por pelo menos 15 famílias, em condições precárias, nos 17 quartos da casa de três andares.

Um dos moradores do casarão, o jovem Wallace de Sousa, reside no casarão há quatro meses, mas não sabe dizer quem é o proprietário.

Não sei quantas pessoas moram aqui, mas é bastante gente. Ao todo são 17 quartos e usamos os banheiros da parte de fora da casa. Mas ninguém paga nada aqui não. Nem conheço o dono.

A Secretaria Municipal do Patrimônio Histórico afirma que até agora o proprietário não foi encontrado, mas adianta que mesmo com o tombamento não é possível interferir na relação entre propriedade e locação.

A esperança, segundo Zambelli, é que a iniciativa privada se interesse em investir.

O único incentivo da Prefeitura é a isenção do IPTU, mas o proprietário tem que fazer a solicitação. E para conseguir o incentivo é necessário que o imóvel esteja em bom estado de conservação explica Zambelli, afirmando que esta é uma forma indireta do governo incentivar a recuperação e preservação.

A estrutura física, telhado e instalações precisam estar em boas condições.

Zambelli disse que as pesquisas para identificar outras moradias do escritor continuam. Atualmente, uma placa no Cosme Velho indica que naquele local morou o escritor, mas o imóvel foi demolido.