Prefeitura descobre aqueduto que pode explicar ocupação da cidade

JB Online

RIO - A Secretaria de Patrimônio Histórico-Cultural (Sedrepahc) descobriu, ao analisar alguns mapas da cidade, um sistema de abastecimento de água através de aquedutos que contornam os morros de Santa Teresa, Paula Matos e Rio Comprido. A planta onde se inicia o mapeamento do sistema foi feita em 1875 pelos engenheiros Antônio José Fausto Garriga e Caetano Augusto Rodrigues.

Em visita ao local, com acesso pela Rua Cândido de Oliveira, a equipe da Coordenação de Proteção e Conservação da Sedrepahc descobriu o trecho de um aqueduto, com aproximadamente 40 metros de comprimento, 2 metros de largura, com nove arcos plenos em tijolos maciços e pedras de mão. A área hoje é utilizada como chácara de plantas e localizada sob torres de transmissão de energia, com declive em direção à entrada do Túnel Rebouças.

Segundo o gerente de Cadastro e Pesquisa da Coordenação de Proteção e Conservação da Sedrepahc, Fernando Fernandes de Mello, esse foi um achado muito importante para a história da cidade, já que abriu uma linha de pesquisa sobre o abastecimento de água e o esgotamento sanitário. Segundo Fernando, a elaboração de um projeto de identificação deste sistema, através do aprofundamento das pesquisas, tanto histórica como arqueológica, e seus desdobramentos, pode contribuir para explicar parte da ocupação desta cidade

Três possibilidades estão sendo estudadas pela equipe da Secretaria de Patrimônio Histórico-Cultural. A primeira é de que poderia ser um ramal de distribuição de água que abastecia o Campo de Santana, construído a mando de D. João VI em 1809, devido a inúmeras solicitações por parte da população residente na Freguesia de Sant'Ana, que não tinha acesso a boa água.

Outra hipótese surgiu da constatação de que, no processo de urbanização da Cidade Nova, em 1875, houve necessidade de se drenar todo o Mangal de São Diogo e os vales do Catumbi e do Rio Comprido, além da água que descia das encostas, que contribuíam para os alagamentos constantes da região. A terceira é de que, em 1841, o aqueduto teria favorecido o abastecimento de água das vizinhanças da Chácara do Bispo.