Acessos ao Pavão ainda sob a desordem urbana

Felipe Sáles, Jornal do Brasil

RIO - Nem as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram capazes de abalar a rotina de desordem em Copacabana em especial, na Rua Sá Ferreira. Há um mês, o Jornal do Brasil esteve na região e constatou camelôs e feiras de frutas e verduras ocupando os dois lados da rua, além de um menino de rua desacordado em cima de um bueiro. Trinta dias depois, o único fato diferente foi que, ao invés de haver um menino de rua, ontem havia quatro garotos desacordados em cima de um bueiro, embalados pelo som intermitente das obras do governo federal.

Moradores da região já reuniram mais de 500 assinaturas para cobrar um fim da bandalha, definida pela população como a favelização do bairro. Segunda-feira, foi feita uma reunião entre síndicos da região e o presidente da Associação de Moradores de Copacabana, Horácio Magalhães, que agendou um encontro amanhã com o subsecretário de Governo, Rodrigo Bethlem, responsável pelas operações CopaBacana, IpaBacana e BarraBacana.

Aquela rua é um problema crônico, e ironicamente a obra meio que estragou a desordem brincou Horácio. Amanhã levaremos um relatório com todos os problemas para discutirmos soluções junto do subsecretário.

Fim do silêncio

Os trabalhadores do PAC estão abrindo crateras em parte da Rua Sá Ferreira a fim de drenar as águas que descem do Morro Pavão Pavãozinho até a galeria de águas pluviais da Avenida Atlântica. A obra ainda vai durar cerca de 20 dias.

Já tinhamos problema com barulho de bares e baile funk, agora com a obra acabou o silêncio reclama a aposentada Aparecida Donofre, 68 anos. O pior é que, depois da obra, toda a desordem vai continuar no ritmo normal.

Entre as principais reclamações dos moradores está o aumento da população de rua, em geral meninos com cerca de 10 anos que, segundo moradores, passam a noite cheirando cola e fumando crack em cima do Túnel Sá Ferreira. A qualquer hora do dia, é praticamente impossível não encontrar pelo menos um menino de rua estirado em cima de um bueiro na Rua Sá Ferreira. Nem mesmo o barulho das obras do PAC são capazes de acordá-los. Procurada, a Secretaria Municipal de Assistência Social não respondeu até o fechamento desta edição.

O subsecretário de Governo também não foi encontrado para falar sobre os problemas. Há um mês, Bethlem disse que adotaria novas estratégias para combater a desordem no bairro, entre elas o uso de agentes à paisana. Até hoje, porém, nada foi feito. A última ação no local foi em junho quando diversas casas da encosta da Ladeira Saint Romant foram derrubadas mas, no dia seguinte, a desordem já tinha voltado à rua.

Outra queixa comum entre os moradores é a feira de frutas e legumes que toma boa parte dos dois lados da calçada. Embora a obra do PAC tenha interditado toda a rua, os alimentos continuam expostos enquanto máquinas trabalham meio metro a frente.