Morre um dos mais importantes articuladores da Reforma Sanitária

JB Online

RIO - Morreu na madrugada desta sexta-feira , o sanitarista Dalton Mario Hamilton, aos 75 anos, de enfarte.

Personagem atuante na Reforma Sanitária brasileira, de setembro de 1978 a 1986, ele foi pesquisador titular da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz, exercendo atividades de pesquisa e docência na área de planejamento em saúde. Entre 1986 e 1989, ocupou os cargos de superintendente de Administração Geral e superintendente de Planejamento da Fiocruz. Foi vice-diretor da Ensp em 1991 e 1992 e vice-presidente de Desenvolvimento Institucional da Fundação de 1993 a 1996. Atualmente, estava aposentado. Deixa esposa e seis filhos.

Dalton Mario Hamilton nasceu a 15 de agosto de 1932, em Buenos Aires, na Argentina. Formado em medicina pela Universidade de Buenos Aires, em 1958, especializou-se em pediatria, clinicando em hospital da rede pública e participando das campanhas de combate à diarréia estival.

Seu interesse pela saúde pública levou-o a realizar o curso de pós-graduação da Escola Nacional de Saúde Pública de Buenos Aires, em 1963, e o master of science em população na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Desde então, sua atuação profissional se desenvolveu em três áreas intimamente relacionadas: sistemas de informação, investigação e planejamento em saúde.

Ainda em 1963, foi contratado pelo Ministério da Saúde Pública da Argentina para implantar, na província de Tucumán, o Programa de Estadísticas Vitales e Información Básica para los Servicios Públicos de Salud, experiência que foi estendida a todo o território argentino.

De 1969 a 1973, participou do Projeto Estudio sobre Salud y Educación Médica, inicialmente como chefe da equipe de demografia e depois como diretor executivo, desenvolvendo pesquisas relacionadas ao planejamento global de atenção médica, estudos sobre a formação e a oferta de recursos humanos e sobre a rede de serviços de saúde.

A crise política na Argentina e o conseqüente golpe militar, ocorrido em 1976, levaram-no a exilar-se no Brasil, onde, após uma rápida passagem como consultor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), foi convidado pela Unidade de Planificação, Pesquisa e Programas Especiais (Pappe) do Ministério da Saúde do Brasil para assessorar a programação do Sistema Integrado de Prestação de Serviços de Saúde de Montes Claros (MG) e de Caruaru (PE).