Greenpeace: Brasil na contramão do mundo

Júlia Moura, Jornal do Brasil

RIO - Vestidos com roupas de segurança nuclear e com mascaras, ativistas do Greenpeace protestaram nesta quinta-feira contra a licença prévia para a instalação da usina nuclear de Angra 3, na Costa Verde do Rio. Em frente à sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) um grande retrato do presidente da instituição, Roberto Messias, foi acorrentado ao portão de entrada do órgão, com os dizeres: O Messias chegou e traz más notícias . O mesmo protesto foi realizado na véspera em Brasília.

O Greenpeace alega que o projeto de construção de Angra 3 é um retrocesso para o Brasil, pois a energia nuclear é uma energia suja e com manejo de lixo caro que não vale o preço de um risco de acidente e por conseqüência uma contaminação. A ONG entregou ontem ao superintendente do Ibama, Rogério Rocco, junto com as chaves do cadeado preso ao retrato de Messias, o estudo Revolução energética que mostra outro caminho para o Brasil até 2050 com energias renováveis. Com os recursos previstos para a construção de Angra 3, R$ 7 bilhões, seria possível instalar um parque de turbinas eólicas com o dobro de potência em no máximo um terço do tempo, cerca de 2 anos, gerando 32 vezes mais empregos.

Enquanto o mundo tenta reduzir as emissões de carbono e lançar mão de energias limpas, o Brasil faz uma opção na contramão da tendência mundial, de usar sua matriz com energias fósseis e com a energia nuclear que tem o risco de acidentes com o seu lixo avaliou Ricardo Baitelo, coordenador das energias renováveis do Greenpeace Brasil.

Na quarta-feira o Ibama concedeu a licença prévia para a construção da usina com 60 condicionantes, entre elas, a construção de um novo e mais seguro depósito do lixo radioativo, que também irá armazenar o das duas outras unidades, que atualmente de acordo com o relatório Indicadores de desenvolvimento sustentável 2008, do IBGE, são 13.775 metros cúbicos de resíduos radioativos por ano. Para a ONG, o lixo merece uma atenção especial pois não há no mundo uma resposta para o depósito definitivo do lixo.