DEM anuncia expulsão de Natalino e Alerj mantém

Renata Victal, JB Online

RIO - Um dia após ter sido preso, em sua própria casa acusado de chefiar a milícia na Zona Oeste, o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) sofreu outro golpe: seus pares na Assembléia Legislativa decidiram que não farão uma convocação extraordinária durante o recesso para votar se a prisão em flagrante se justifica. Ou seja, pelo menos até cinco de agosto, quando acontecerá a primeira sessão plenária, Natalino continuará em Bangu 8.

Mais problemas: o corregedor da Alerj, Luiz Paulo da Rocha, candidato a vice de Fernando Gabeira, admitiu ter receio de entrar na Carobinha, favela dominada pela milícia de Natalino. O parlamentar preso ainda não sabe, mas nesta primeira semana do mês ele também será punido pelo partido. Antes mesmo da Comissão de Ética da Executiva Nacional se reunir, Rodrigo Maia, presidente do DEM, garante que Natalino será expulso.

O senador Demóstenes Torres será o relator, mas não há dúvidas afirma Rodrigo. O caso estava com a Executiva Regional e passamos para a Nacional justamente pela agilidade. Já temos provas do envolvimento do Natalino. A decisão será unânime pela expulsão.

Foi com a mesma convicção que 11 deputados estaduais decidiram nesta quarta-feira, durante reunião com integrantes da Mesa Diretora, da Comissão de Ética e da Comissão de Justiça, julgar a prisão em flagrante apenas em agosto e ainda abrir um processo contra a quebra de decoro parlamentar, o que pode resultar na cassação do mandato. Há dois meses, os parlamentares soltaram em menos de 24 horas o deputado Álvaro Lins, acusado de formação de quadrilha.

De acordo com Paulo Melo (PMDB), presidente do Conselho de Ética e da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o caso dos dois deputados é bem diferente. Apenas o governador do Estado pode convocar o cancelamento do recesso, mesmo assim para votar algo de interesse de algum município explica Paulo. Ou a Mesa Diretora, se houvesse interesse público ou se maioria absoluta, por iniciativa de 36 deputados, decidisse. Não é o caso.

Inquérito entregue

A partir de primeiro de agosto, a CCJ terá um prazo de 48 horas para emitir um parecer a favor ou contra a prisão do deputado. Em qualquer uma das hipóteses, a decisão deve ir à votação no plenário.

Quarta-feira, o corregedor da Casa, deputado Luiz Paulo Ramos (PSDB) recebeu da polícia parte do inquérito contra Natalino. Em princípio parece que há elementos para determinar a quebra de decoro parlamentar explica Luiz Paulo. A primeira análise é de que ele tem envolvimento com a milícia, com mortes e que trocou tiros com a polícia. Um dos presos, o Fábio, era lotado no gabinete dele.

O preso a qual o corregedor faz referência é Fábio Pereira de Oliveira, o Fábio Gordo, procurado pela polícia por homicídio e extorsão. Impressionado, o deputado Luiz Paulo, candidato a vice-prefeito de Fernando Gabeira, confirmou ser impossível fazer campanha em algumas regiões.

Quem já se candidatou a alguma coisa e diz que nunca encontrou resistência do tráfico ou da milícia, está mentindo ou sendo gentil. Não dá para entrar na Carobinha, por exemplo, onde o tráfico e a milícia se alternam. Isso vicia as eleições e não há como esconder um problema desta gravidade. O mesmo pensa o deputado Marcelo Freixo (Psol).

Não tenho dúvidas de que a milícia elege e se organiza acredita Marcelo. Além do interesse econômico, eles querem o poder. A milícia elegeu vereadores, deputados estaduais e federais. Não podemos deixar que elejam um governador.