Candidatos reconhecem o poder do tráfico

Carlos Braga, Jornal do Brasil

RIO - Diante da ata de reunião do tráfico, o JB perguntou aos candidatos à prefeitura sobre as possíveis dificuldades de fazer campanha na Rocinha. A maioria disse que pretende visitar a comunidade e condenou a formação do curral pelo tráfico. Avisado de que seria melhor adiar sua visita na favela, Alessandro Molon (PT) decidiu esperar o sinal verde dos militantes que moram na Rocinha.

Antes de a campanha começar, os militantes pediram para adiar a nossa visita por que não sentiam segurança, falaram com a coordenação de campanha, disseram que a barra estava pesada contou Molon.

Seria no primeiro dia de campanha. O Estado não garante a vida das pessoas, temos responsabilidades com a vida dos militantes que vão ficar lá depois que acabar a campanha. Pretendemos ir sim, mas vamos aguardar a manifestação dos militantes que moram na área.

O candidato do Psol, Chico Alencar, disse que sempre fez campanha na Rocinha a convite da associação ou de pessoas que têm trabalho no local .

Além de ter amigos na favela, ele disse que nunca teve nenhum problema, mas acha que a polícia precisa investigar.

Assim como tem que fiscalizar o abuso de poder econômico, tem que investigar a eventual interferência do tráfico na campanha.

Gabeira preocupado

Fernando Gabeira se mostrou preocupado. Ele contou ter se reunido com líderes da favela, inclusive com Luis Cláudio.

Não tenho problemas na Rocinha. Fiz reunião com todos os líderes, inclusive com o Claudinho da Academia, e avisei que ia visitar a comunidade sem aviso. Fico preocupado, mas eles também têm que ficar se fizerem algo comigo. Então é preocupação dos dois lados.

A democrata Solange Amaral pretende fazer campanha na favela, mas demonstra receio.

Eu irei à Rocinha como já fui ao Alemão, ao Jacarezinho, como ando na praia do Leblon. É só mais uma área da cidade disse Solange.

Acho isso muito grave, por que traficante é fora da lei, traficante tem que ser retirado da comunidade e não endeusado. Espero que justiça e polícia tomem providências.

Eduardo Paes (PMDB) disse que pretende ir à comunidade, mas não tem nenhuma data agendada.

A assessoria do senador Marcelo Crivella disse que William de Oliveira ex-presidente da associação de moradores, organizou a visita do candidato na favela.

Paulo Ramos, do PDT, não foi encontrado pela reportagem.