Natalino condecorou acusados de milícia e assassinato

Paula Máiran, Jornal do Brasil

RIO - Um estudo do perfil de atuação parlamentar de Natalino Guimarães (DEM) revela algo sobre o espectro de suas afinidades políticas. Em uma de suas duas homenagens a terceiros na Assembléia Legislativa, por exemplo, promoveu, em 2007, a entrega de uma Medalha Tiradentes a um nome mais do que suspeito como ocorre com ele mesmo de comandar uma milícia na Zona Oeste, o vereador Nadinho de Rio das Pedras (PMDB).

A outra medalha concedida por Natalino em seu mandato, também em 2007, foi dedicada ao deputado estadual e ex-vereador de Rio Bonito Marcos Abrahão, ex-sargento da Polícia Militar, depois empresário e parlamentar, acusado de ter sido o mandante do assassinato do então deputado Valdeci Paiva de Jesus, integrante, como ele, do PSL. Suplente da vítima, Abraão assumiu o mandato após o crime.

Polícia e saúde

Na proposição de projetos de lei, Natalino demonstrou incansável esforço em prol da área de segurança.

No projeto de lei 1599/2008, instituiu a data de 13 de maio como o Dia do Policial, em homenagem aos policiais civis, militares e bombeiros do Estado.

No projeto de lei 365/2007, o parlamentar elaborou texto em defesa de policiais suspeitos de crimes por intermédio de queixas encaminhadas ao Disque-Denúncia (2253-1177), para evitar prisões sem comprovação das denúncias.

Mas Natalino também soube demonstrar preocupação com temas como a saúde pública, como quando, no projeto de lei 859/2007, decidiu que deveria se tornar obrigatória a aplicação de selo higiênico nas latas de cerveja, refrigerantes e afins .

Ficha suja

A atuação parlamentar também rendeu ao menos um privilégio a Natalino. O sigilo em torno de processo criminal que corre desde o ano passado no Tribunal de Justiça, no qual é acusado de formação de quadrilha armada, entre outros crimes. O processo teve origem em investigação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) sobre os indícios do envolvimento dele com a milícia.

No Relatório de Vida Pregressa de Natalino, constam informações comprometedoras, como a que se refere a um homicídio; outra sobre formação de quadrilha ou bando; e ainda uma acusação de crime contra a administração pública.