Albergues são alternativa na noite carioca

Cecília Abreu e Débora Motta, JB Online

RIO - Para turistas de todo o mundo, a palavra hostel ou albergue é sinônimo de hospedagem barata e de ponto de encontro de jovens entre 20 e 30 anos. Mas nem só de turistas vivem os albergues no Rio. A novidade que conquista os cariocas é a 'night' nos hostels - que não oferecem mais apenas serviços de estadia, e sim uma gama de atrativos abertos a não hóspedes, como bares onde acontecem festas, churrascos, shows e happy hours.

- Ir para albergues é uma ótima opção quando se quer variar o repertório e sair da mesmice. Essas nights costumam ser mais ecléticas, com som variado, gente animada e diversificada, que não está em busca de um lugar que é 'a bombação do momento'. Mas acaba sendo algo que está caindo no gosto dos cariocas e virando também uma bombação pondera Hugo Almeida, morador do Leme de 23 anos.

Os jovens mochileiros, ao desembarcarem na cidade, encontram cada vez mais opções. Há cerca de cinco anos, existiam menos de 10 albergues no Rio. Hoje, são mais de 40 albergues no município, fora os que existem em cidades como Búzios e em Ilha Grande. O aumento do número de albergues na cidade propicia um intercâmbio dos estrangeiros com os cariocas.

- Tenho várias amigas que trabalham em albergues. Eu gosto de tomar uma cervejinha em bares ou até mesmo em nights promovidas pelos hostels do Rio porque posso interagir, treinar o inglês e ainda desfrutar de um lugar aconchegante, não muito grande, junto com minhas amigas. Gosto de viajar e freqüentar albergues no Rio me faz ter um pouquinho da sensação de que estou fora do dia-a-dia da cidade acrescenta a estudante de cinema Júlia Araujo, de 20 anos.

- Acho que a moda agora dos albergues é interagir cada vez mais o povo local com os mochileiros. Hostel com bar e night virou um ponto de encontro de todas as nações afirma Roberto Almeida, freqüentador do bar Clandestino, anexo ao albergue Stone of a Beach, em Copacabana.

Além da maior quantidade, a oferta de albergues está melhor. Os hostels seguem um padrão: camas-beliche em um mesmo quarto e banheiro compartilhado. Alguns têm piscina, sala para assistir a DVDs e, claro, um bar agitado, que vira ponto de encontro dos mochileiros.

- Quando procuro um albergue, eu procuro tudo em um lugar só. Ou seja, quero um lugar bem localizado na cidade, com vários serviços disponíveis e de preferência com um bom bar e entretenimento. Albergues assim são ótimos para dar aquela "aquecida", o que posso chamar de pré-night, antes de sair para algum outro lugar ou curtir a noite ali mesmo. Se o bar estiver bom, com gente local interagindo, não faço a menor questão de sair. Prefiro me aventurar em cidades como o Rio de dia diz o estudante holandês Hessel Galenkamp, que já esteve na cidade três vezes.

O ambiente sociável, afinal, é um dos principais atrativos. Assim como os programas que a equipe do albergue costuma organizar, como passeios de jipe na Rocinha, caminhadas pelo Jardim Botânico, aulas de surf e capoeira, incursões em escolas de samba e o funk do Castelo das Pedras, além de outras opções.

Apostas no setor

Além de fazer sucesso com a boate na noite de Copacabana, o Copa Hostel oferece outros serviços de entretenimento, como o aluguel do espaço para festas.

- No final de semana rola a night, no estilo boate. E é aí que os gringos saem e o povo carioca entra. É engraçado esse movimento. De dia temos os gringos e de noite, nos finais de semana, temos os cariocas. Há uma inversão de galera. Nosso público do Guimo's bar é 90% de brasileiros analisa o gerente do Copa Hostel, Luiz Geraldo Santos. - Os cariocas adoram o Guimo's porque ele tem a versatilidade que um pub tem. Começamos só com um bar. Agora trabalhamos muito em cima de festas contratadas, em que 300 pessoas podem entrar ou um ambiente com mesas, no estilo bar. O pessoal de fora pode vir jogar sinuca, gamão, damas e ver futebol, sempre.

O albergue Mellow Yellow, também em Copacabana, tem terraço com banheira coletiva de hidromassagem, churrasqueira e um charmoso bar onde acontecem festas, shows e muita happy hour, além de salas de relaxamento, jogos, vídeo e internet grátis. A diária custa a partir de 33 reais. A média de preços de Copacabana é a mesma de Botafogo, outro bairro com boa oferta de albergues. Um dos destaques é o Botafogo Easy Hostel, inaugurado há cinco anos. Com piscina e bar entre seus atrativos, o albergue pretende apostar em outros serviços além da estadia.

- Nós oferecemos muitas atrações para nossos hóspedes. Nossos churrascos, por exemplo, fazem muito sucesso, mas ainda não abrimos nosso bar ou festas ao público de fora. Pensamos em fazer isso em breve. Agora estamos em baixa temporada. Quem sabe para julho, que é verão na Europa - avalia Carlos Obeica, gerente do hostel. - O número de albergues aumentou muito nos últimos anos, mas não acredito que vá continuar assim. Aposto que ficarão apenas os melhores. Esse mercado ficou muito competitivo.

Para a presidente da Associação dos Albergues do Estado do Rio de Janeiro, Andréa Cota, agregar serviços de entretenimento aos albergues é uma tendência brasileira.

- Isso ocorre mais aqui no Brasil. Em outros países, é mais comum oferecer só serviço de cama e de restaurante. Acredito que a receita dos albergues que investem em atrações como pubs chegue a dobrar.

O momento é de expansão dos albergues na cidade, que aproveitam a boa fase do turismo. Segundo Andréa Cota, o Rio deve receber novos hostels em breve.

- Pelo menos 10 novos albergues devem ser inaugurados esse ano na Zona Sul do Rio, em bairros como Ipanema, Copacabana e Catete.

O secretário especial de Turismo, Rubem Medina, acredita que o perfil dos hóspedes de albergues na cidade passa por uma mudança.

- É cada vez maior o número de turistas que procura esse serviço. Até a década passada, os albergues eram procurados principalmente por jovens e estudantes. Hoje, os albergues vêm melhorando a qualidade dos serviços prestados e o conforto. É exatamente por isso que eles estão atraindo turistas de maior poder aquisitivo e não só os estudantes. Muitas famílias que visitam o Rio se hospedam nos albergues - afirmou o secretário Especial de Turismo, Rubem Medina.

Motivos do sucesso

- Os novos albergues têm piscina, internet, sala de TV, ar-condicionado, bares e outras comodidades

- Há mais qualidade e mais oferta: hoje são pelo menos 40 albergues na cidade

- As diárias custam, em média, de R$ 30 a R$ 45 e incluem café-da-manhã

- Quem procura os albergues tem menos de 30 anos, faixa etária de 50% dos turistas que vêm ao Rio

- Os albergues da cidade são, em geral, bem localizados, têm ambiente descontraído e equipe prestativa