Alerj quer indenização para familiares de jovens mortos na Mineira

JB Online

RIO - A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembléia Legislativa do Rio vai pedir ao Governo federal que seja enviado para o Congresso Nacional um projeto de lei que trate da indenização aos familiares dos três jovens do Morro da Providência, Centro do Rio, mortos após serem entregues, por soldados do Exército, a traficantes do Morro da Mineira. De acordo com a assessoria, o anúncio foi feito durante a audiência realizada nesta terça-feira que contou com a presença de membros das famílias das vítimas.

O presidente da comissão, deputado Alessandro Molon (PT), disse que a reparação financeira não diminuirá a dor dos parentes, mas afirmou que é o mínimo que a União deve fazer. Além disso, o deputado vai pedir proteção a testemunhas que desejarem.

- A dor da perda de um filho não será, nem de longe, atenuada, mas a indenização é um direito. Também pediremos apoio psicológico para as famílias, o que é uma reivindicação delas mesmas - enfatizou Molon.

Durante a audiência, Lílian Gonzaga da Costa, mãe de Wellington Gonzaga da Costa, uma das vítimas, disse que vai exigir, até o fim, que a justiça seja feita.

- Sou mãe e não posso ter medo. Não quero atrapalhar nenhuma obra, mas os soldados precisam se limitar às atividades de cuidar de cimento, não precisam ficar nas praças, onde até as crianças já estão com medo.

As obras do projeto federal Cimento Social levaram o exército ao Morro da Providência em dezembro do ano passado, e foram embargadas, nessa manhã, pelo juiz Fábio Uchoa, da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro. Benedita Florença Monteiro, avó de David Wilson Florença da Costa, também assassinado por traficantes da Mineira, também participou da audiência.

O delegado responsável pelo inquérito policial na 4ª Delegacia de Polícia, Ricardo Dominguez, reforçou capitão ordenou que o tenente responsável libertasse os jovens.

- Em três depoimentos ouvi que, após entrar no caminhão, com outros soldados e os jovens, o capitão reforçou a ordem, mas continuou não sendo ouvido. Um tenente respondeu que só daria uma volta com os rapazes e que os entregaria às famílias, o que não aconteceu - lamentou. O vice-presidente da comissão da Alerj, deputado Marcelo Freixo (PSol,) ressaltou a necessidade de se apurar firmemente o descumprimento da ordem.

A inconstitucionalidade da intervenção das Forças Armadas na Segurança Pública foi comentada pelo defensor público da União, André Ordacgy, que disse, de acordo com a assessoria da Alerj, o fato de a abordagem aos rapazes ter sido praticada fora do horário de funcionamento da obra, também reforçaria a idéia de que eles estariam agindo como policiais e, assim, atuando em Segurança Pública.

Representantes do Comando Militar do Leste (CML) convidados para a audiência não compareceram à reunião. A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Margarida Pressburger; João Tancredo, advogado dos familiares, e membros de famílias de pessoas vitimadas pela violência em outras ocasiões também estiveram presentes ao encontro. Os jovens assassinados Wellington, David e Marcos Paulo da Silva voltavam de um baile funk quando foram abordados pelos militares, no último dia 14, detidos e entregues por homens do Exército a um grupo de dez a 15 traficantes do Morro da Mineira, comandado por uma facção rival. Os corpos dos jovens foram encontrados no domingo, dia 15, no Aterro Sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense.