Baixada tem maior número de violência contra a mulher

Júlia Moura, JB Online

RIO - Os municípios de Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, apresentaram os maiores números de mulheres vítimas de violência, de acordo com o Dossiê Mulher, estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Em segundo lugar está o município de Duque de Caxias.

O objetivo do estudo foi traçar um diagnóstico dos principais crimes relacionados à violência contra a mulher. Foram selecionados quatro títulos de violência das quais as mulheres costumam ser vítimas mais freqüentemente, e o homicídio doloso por ser o mais grave crime contra a pessoa. Os títulos selecionados foram: estupro, atentado violento ao pudor, ameaça e lesão corporal dolosa.

Das dez Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP) com maiores números de vítimas de ameaça, seis referem-se a áreas onde as Delegacias Especializadas de Atendimento aa Mulher (DEAM) estão localizada fisicamente.

De acordo com o Dossiê Mulher as constantes campanhas de esclarecimento e apoio às mulheres vítimas de violência têm incentivado a procura pelas Delegacias Especializadas para registrarem esses delitos. Para a Coordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento aa Mulher (DEAM), Inamara Pereira Costa, o aumento de registro da violência contra a mulher está ligado a questão cultural.

-A violência contra a mulher é uma da mais democráticas porque atinge as mulheres de todas as classes sociais e de todas as idades. Mas agente percebe que nas comunidades carentes as pessoas têm mais coragem de procurar uma delegacia de policia. Está relacionado a questão cultural. Nas delegacias da Baixada Fluminense e São Gonçalo agente percebe um número muito grande. Já na Zona Sul as pessoas não procuram tanto estas delegacias avalia Inamara Pereira Costa.

Duque de Caxias aparece entre os três primeiros da lista de áreas com maiores números de mulheres vítimas de ameaça. O município registrou um aumento de 570 vítimas de ameaça em 2007, número que representa um aumento de aproximadamente 30%, se comparado com o ano anterior, o que confirma o dado de que as áreas com DEAM e campanhas de esclarecimento encorajam as mulheres a denunciar os agressores.

-O fato ter policial capacitado a dar um tipo de atendimento voltado à violência contra a mulher gera confiabilidade para a população, na atuação da polícia. As pessoas se sentem confortáveis de se dirigirem a uma delegacia e o policial não ter preconceito da pessoa que foi vítima de violência. Os números são mais altos nas áreas que tem DEAM, confirmam a tese de que o serviço bem prestado aumenta o grau de confiabilidade e legitima as polícias analisa a Assessora Especial da Secretaria de Estado e Segurança, Jéssica Oliveira de Almeida.

Segundo o estudo apesar dessas delegacias especializadas atenderem casos vindos de qualquer região do estado, a maioria dos registros refere-se a crimes ocorridos em bairros ou municípios próximos. Quanto ao número de mulheres vítimas de lesão corporal dolosa o município de Duque de Caxias teve um aumento de 743 vítimas ou 30,2%.

Maioria das mulheres conhecem os agressores

Crimes de atentado violento ao pudor, ameaça e lesão corporal dolosa contra mulheres ocorreram em sua maioria no espaço doméstico de convívio e no âmbito familiar, segundo o Dossiê Mulher.

As ameaças contra mulheres registram o número de 39.038. São, aproximadamente, 107 vítimas por dia. Quase a metade das mulheres vítimas de ameaça (46,1%) tinham como provável autor o companheiro

ou ex-companheiro e 10,3% das vítimas sofreram ameaças de pessoas próximas como pais e parentes, ou ainda que 70,7% foram cometidos por pessoa conhecida ou próxima da vítima. Quanto ao perfi l da mulher vítima observou-se que 56,9% das mulheres que sofreram ameaça tinham entre 25 a 44 anos , 51,1% eram brancas e 50,5% solteiras. Este delito aumentou em 3,1% de 2006 para 2007.

O mesmo acontece com os casos de atentado violento ao pudor, em 61,1% dos casos em 2007, as vítimas conheciam os acusados (companheiros, ex-companheiros, pais, padrastos, parentes, conhecidos e

outros tipos de relações). Destes, 28,6% tinham relação de parentesco com a vítima. Com relação ao perfil das mulheres vítimas de AVP, 39,6% eram de cor branca e 40,2% de cor

parda, 75,3% eram solteiras e 42,5% tinham idade entre zero e onze anos.

Já no delito lesão corporal dolosa, 49,7% dos acusados eram companheiros ou ex-companheiros. Das vítimas 46,8% eram brancas, 37,7% pardas e 13,2% pretas; 55,6% tinham entre 18 e 34 anos, sendo

33,8% entre 25 e 34 anos; 57% eram solteiras e 29,5% casadas.