Polícia Federal deflagra operação contra tráfico de corais

Portal Terra

RIO - A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagrou na manhã desta quarta-feira a Operação Nautilus, que visa reprimir a extração, comércio e exportação ilegais de fragmentos de recifes de corais brasileiros, destinados ao mercado nacional e internacional de aquariofilia.

Os policiais estão cumprindo 14 mandados de prisão temporária, 64 mandados de busca e apreensão e 53 mandados de condução coercitiva nos Estados de Pernambuco, Bahia, Paraíba, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Foram efetuadas também buscas na Alemanha, Holanda e Dinamarca, e instauradas ações investigativas no Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França e Argentina.

No decorrer das investigações de duas empresas e uma exportadora, em 2007, foram descobertas 16 t de corais para consumo interno e 20 t que seriam exportadas. Já em 2008, foram detectadas extrações ilegais de 90 t de corais do litoral norte de Pernambuco, Bahia e Espírito Santo, que abasteceriam o mercado internacional. No mercado interno, os corais eram extraídos e enviados para 23 empresas localizadas em oito Estados brasileiros.

A comercialização ilegal de corais alimenta a indústria de ornamentação de aquários, tendo como principais destinatários países como Argentina, Canadá, Reino Unido, França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Itália, Grécia e Áustria.

Uma de cada quatro espécies marinhas vive nos recifes, incluindo 65% dos peixes. Os recifes estão para o ambiente marinho da mesma forma que as florestas tropicais estão para os ambientes terrestres, ou seja, os maiores centros de biodiversidade do planeta.

Ao mesmo tempo, a perda de corais prejudica as perspectivas de uma vida melhor para as populações costeiras. Quase meio bilhão de pessoas vive num raio de 100 quilômetros de um recife de coral, e muitos dependem deles para alimentação e emprego. Só no Brasil, 18 milhões de pessoas dependem direta ou indiretamente desses ambientes. Cerca de um quarto do pescado nos países em desenvolvimento, dentre eles o Brasil, vem de áreas de coral que proporcionam alimentos para aproximadamente um bilhão de pessoas, só na Ásia.

Os presos irão responder pelos crimes ambientais de exploração de campos naturais de invertebrados aquáticos sem licença (detenção de 1 a 3 anos ou multa), transporte e comércio de espécimes de coleta, apanha ou pesca proibida (detenção de 1 a 3 anos ou multa), extração ilegal de recursos minerais (pena de detenção de 6 meses a 1 ano), bem como por formação de quadrilha (reclusão de 1 a 3 anos), contrabando (reclusão de 2 a 8 anos), falsidade ideológica (reclusão de 1 a 5 anos), receptação qualificada (reclusão de 3 a 8 anos, e multa) e usurpação de patrimônio da União (detenção de 1 a 5 anos).