Sindicato dos Médicos critica ações do governo contra a dengue

JB Online

RIO - O aumento do número de mortos pela epidemia de dengue levou o secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, a chamar as medidas contra a doença de medicina de catástrofe. A expressão foi criticada pelo presidente do sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze. Segundo o sindicalista, a ausência de coordenação entre as esferas de governo é que promove a catástrofe na vida da população. O Estado do Rio já tem 67 mortes por dengue confirmadas, a metade de crianças.

-É uma situação que já vínhamos denunciando há muito tempo. A dengue mostrou que a peneira não consegue dar suporte para tapar o sol comparou.

Para Darze, a grande demanda fez explodir os problemas da rede pública. Ele revela que a doença disseca a crise na saúde pública, com a falta de médicos e de estrutura nos hospitais para receber os doentes.

Segundo o sindicalista, os baixos salários e as condições inadequadas de trabalho afastaram os profissionais da rede pública. Para reduzir o déficit, a secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil anunciou que vai contratar pediatras de outros Estados. Darze reclama do valor que será pago. Segundo ele, três vezes maior do que o salário recebido pelos profissionais do Rio.

-Estão oferecendo uma diária de R$ 500, além de passagens e hospedagem, enquanto os profissionais do Estado ganham R$ 1,3mil por mês. É o neoescravagismo comenta.

Darze lembrou que há outros pacientes que continuam morrendo nos hospitais sem o atendimento adequado por causa da precariedade do sistema público de saúde.

- A epidemia é grave, mas o governo apresenta uma versão que não corresponde à realidade. O caos na saúde é antigo disse.