No dia seguinte à abertura, hospital militar vive caos no Rio

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RIO - Depois de um primeiro dia de atendimento rápido nos hospitais de campanha montados pelas Forças Armadas, a população do Rio de Janeiro encarou nesta terça-feira longas filas e falta de atendimento nas tendas militares, numa repetição do cenário encarado na rede pública desde o início da epidemia de dengue que já matou 67 pessoas no Estado. Pouco depois do meio-dia, a capacidade máxima de 400 pessoas já havia sido esgotada no hospital de campanha da Aeronáutica, montado na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. No centro de triagem, centenas de outras pessoas na fila não seriam atendidas.

- O atendimento com certeza está acima das nossas expectativas - disse um tenente da assessoria de imprensa da Aeronáutica. - As pessoas chegam aqui dizendo que não conseguiram atendimento nos hospitais.

- As 400 senhas de atendimento para hoje já foram distribuídas, que é a nossa capacidade máxima. Com a estrutura do nosso hospital de campanha, não existe a possibilidade de estender essa capacidade - acrescentou o tenente.

Com mais de 43 mil casos registrados oficialmente este ano, 67 mortes por dengue já foram confirmadas no Estado. Cerca de metade das vítimas é de crianças de 2 a 13 anos. Pelo menos outros 60 casos de pessoas que morreram com suspeita de dengue ainda estão sendo investigados. A capital responde pela maioria dos óbitos estaduais, com 44 mortos, sendo 23 crianças. Em todo o ano passado, houve 31 mortes por dengue no Estado.

Três hospitais de campanha das Forças Armadas --um da Marinha, um do Exército e um da Aeronáutica - começaram a operar na segunda-feira para dar suporte à rede pública de saúde, que tem sido insuficiente para atender o grande número de casos neste início de ano. O hospital da Aeronáutica é o único que presta atendimento espontâneo à população, através de um posto de triagem. Na segunda-feira, o limite de 400 atendimentos só foi atingido às 20h. Nove pessoas, inclusive, passaram a noite no local esperando leitos de internação em hospitais da rede pública.

Os hospitais de Marinha e Exército são destinados exclusivamente ao tratamento de pacientes encaminhados pelos hospitais da rede pública. Nesta terça-feira, a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil informou que cinco Estados (Rio Grande do Sul, Rondônia, Amapá, Ceará e Santa Catarina) demonstraram interesse em atender à solicitação de envio de 154 pediatras feita pelo Rio de Janeiro na segunda-feira.