Marido de vítima de dengue organiza passeata em Copacabana

Carla Knoplech, JB Online

RIO - Antônio Corrêa que perdeu a esposa Cláudia Silva Corrêa, de 40 anos, supostamente vítima de dengue hemorrágica, nesse último sábado, agora possui mais um infectada na família: a enteada Raphaella, de 16 anos, filha de Cláudia. O trabalhador autônomo ainda não conseguiu relaxar desde o enterro de sua esposa, no último domingo, no Cemitério São João Batista, mas já está direcionando a sua reação de forma pacífica. Uma passeata silenciosa será organizada por Antônio para o dia 12 de abril, em Copacabana, para protestar contra a negligência geral.

Corrêa defende a idéia de que a situação que o Rio de Janeiro vive hoje é um descaso político e não só de saúde pública.  A via-crucis de Raphaella e de Antônio começou na sexta-feira, com o exame de contagem de plaquetas, quando a menina buscou tratamento.

- Na sexta-feira, fui com a Raphaella para a Tenda de Hidratação do Retiro dos Artistas, porque ela estava se sentindo mal. A minha mulher já estava lá e levei a menina pra lá também. Mas, nesse primeiro dia, só receitaram um remédio e mandaram que ficássemos de observação. No sábado, voltamos para o exame de contagem de plaquetas e ela estava com 120 mil e mandaram que voltássemos para uma nova contagem na segunda - explicou Antônio.

Quando Raphaella retornou na segunda-feira ao médico, o exame detectou 67 mil plaquetas na nova contagem. Por isso, os médicos pediram que ficasse até à tarde. Em seguida, o exame das 15h informou 33 mil plaquetas na contagem. Antônio começou a se preocupar:

-Mandaram que a Raphaella ficasse internada até à noite e quando refizeram o exame a contagem de plaquetas tinha dado 34 mil, ou seja, resolveram não partir para uma internação. Deixaram a menina na hidratação porque acharam que o número estaria aumentando positivamente explicou Antônio.

A enteada de Antônio estava acompanhada do pai Rafael de Oliveira, e ambos - Antônio e Rafael- defenderam o bom atendimento que receberam na Tenda de Hidratação do Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá. O médico responsável pela emergência orientou que Raphaella e o pai passassem a noite na Tenda. Por volta de 8h, quando o exame foi refeito, a contagem estava em 20 mil plaquetas.

Familiares e amigos da família de Raphaella procuraram vagas em hospitais públicos na manhã desta terça-feira e só conseguiram achar uma, por volta de 15h, no Hospital da Piedade, na zona norte da cidade.

 

Antônio contou que Raphaella, estudante do Colégio Estadual Stella Matutina, no bairro do Tanque, em Jacarepaguá, está reagindo bem em relação à morte da mãe, mas que não conseguiu ir ao seu enterro no último domingo.

A família está com as atenções voltadas para os cinco filhos de Cláudia, que no meio de tanta confusão ainda precisam se deparar com a internação da irmã. Parentes e amigos estão visitando-os constantemente.