Hidratação pode ser feita em casa por pessoas com dengue, diz médico

Alana Gandra, Agência Brasil

RIO - O diretor do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Eraldo Bulhões, sugeriu neste domingo, a convocação nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal) de especialistas em nutrição para instruírem a população a fazer a hidratação em casa, a fim de ajudar a enfrentar a epidemia de dengue.

Em entrevista à Agência Brasil, Bulhões destacou que "hidratar não é só beber água, são necessários os sais minerais e outros nutrientes encontrados também em frutas e refrescos". O médico explicou que, "se a pessoa estiver hidratada, ameniza o quadro", ao lembrar que a atual epidemia de dengue acomete principalmente crianças geradas na última crise da doença, a partir de 2001, e cujas mães contraíram o vírus do tipo 3. Por isso, nasceram com o anticorpo para esse tipo e não para o vírus do tipo 2, que circula na epidemia deste ano.

Eraldo Bulhões alertou que quem já teve um tipo de dengue e é acometido por outra infestação costuma apresentar reação de hipersensibilidade, com queda forte de pressão. Nestes casos, segundo ele, ocorre uma falsa melhora . Por isto, "não se pode dar alta na dengue após a febre por 72 horas".

Segundo ele, a orientação dada por especialistas em relação à hidratação feita em casa é importante porque algumas crianças sofrem de hipertensão, e não só os adultos. O sódio e o potássio, lembrou, são os elementos fundamentais na preparação do soro caseiro.

Para o médico, aliada às medidas de combate ao Aedes aegipty, mosquito transmissor da dengue, e de atendimento aos doentes, a hidratação adequada pode acabar com o que chamou de síndrome da rodoviária, porque ninguém agüenta mais ver os pacientes aguardando seis, sete horas, sem ter atendimento". A medida, acrescentou, aliviaria a "corrida aos hospitais e tendas já montadas", já que a dengue "mata em dez dias, e não se pode perder tempo".

O diretor do sindicato informou ainda que a experiência foi realizada com êxito em Mato Grosso do Sul, onde "apenas duas pessoas morreram entre os 100 mil casos de dengue constatados".