Dengue transmitida por vírus tipo 4 pode chegar ao Rio

Ludmilla Rabello, JB Online

RIO - Se o Rio de Janeiro já não consegue conviver com a epidemia de dengue provocada pelos tipos 1, 2 e 3 da doença - que já causou 55 mortes - mais uma ameaça ronda o Estado: o vírus do tipo 4, que já infectou pessoas no Brasil, pode chegar ao Rio a qualquer momento e agravar a epidemia. O mais alarmante é que as pessoas que já contraíram qualquer dos três tipos de vírus da dengue no país não estão imunes ao tipo 4 - e ficarão mais vulneráveis à dengue hemorrágica. Esta é a opinião do infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edmilson Migowiski.

- O vírus tipo 4 já circula na região do Caribe e Venezuela há tempos, e pode chegar ao Rio a qualquer hora. Não há barreiras sanitárias que impeçam as pessoas de ir e vir. O vírus pode chegar tanto através dos infectados quanto do mosquito, que vem dentro de caixas e containeres, ou ainda na forma de ovos de mosquito explicou o especialista.

De acordo com estudo de pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, o vírus tipo 4 (o DENV-4) vem da Venezuela e voltou a infectar pacientes da região, após 25 anos sem registros do vírus no Brasil. Um artigo publicado na revista científica 'Emerging Infectious Diseases', afirma que o vírus foi confirmado em três pacientes, depois de exames sorológicos e testes moleculares. O primeiro caso do vírus DENV-4 foi detectado no Estado de Roraima, em 1982. Desde lá, nenhum outro caso foi registrado.

Segundo Migowiski há explicação científica para os 25 anos de 'trégua' do vírus tipo 4:

- Como não é possível contrair o mesmo tipo de vírus duas vezes, as pessoas que foram infectadas com a dengue tipo 4 ficaram imunes à doença, mas o vírus voltou a atacar as novas populações. No caso do Rio, o vírus tipo 2, que havia feito vítimas na última epidemia, em 2002, voltou a atacar as novas gerações, o que explica o grande número de crianças e adolescentes doentes - comentou o especialista.

A prevenção da doença está sendo discutida em todas as esferas públicas. Nesta quinta-feira, em audiência realizada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiros, Oscar Berro, secretário de Saúde de Duque de Caxias - um dos municípios com vários casos da doença -, disse que a gestão de combate à dengue no Estado é 'hospitalocêntrica', e que o governo estaria tomando apenas medidas emergenciais e hospitalares, sem focar na prevenção à doença. O infectologista Edmilson Migowiski concorda, e alerta:

- O problema é que quando essa epidemia for resolvida, e governo e a população vão esquecer o problema. Se o combate à dengue não for feito todos dia, initerruptamente, teremos ainda muitas epidemias no país - explicou Migowiski. E continuou : O governo não pode se vangloriar com a queda do número de casos da doença registrados, até porque o número de infectados é muito maior que o divulgado, já que 1/3 da população não apresenta sintomas da doença. O combate só pode ser comemorado quando diminuir o número de vetores.