Stédile diz que não há decisão da Justiça que impeça ocupações na Vale

Agência Brasil

RIO - O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse nesta quarta-feira à Agência Brasil que não existe liminar da Justiça proibindo a entidade ou o próprio Stédile de incitar e promover a prática de atos violentos contra as instalações da companhia Vale, antiga Vale do Rio Doce.

Em nota divulgada à imprensa, a Vale informou ter conseguido na última terça-feira liminar na 41ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro impedindo ações do MST contra instalações da empresa em todo o país.

De acordo com a nota, a Vale tomou a decisão de buscar essa garantia na Justiça diante dos sucessivos ataques que a empresa vem sofrendo pelo MST desde o início do ano passado. Seriam ao todo oito invasões, desde março de 2007.

João Pedro Stédile esclareceu que assinou uma citação da juíza Patrícia Rodriguez Whathely para explicar em juízo, no prazo de 15 dias, a petição da Vale. A Vale é toda poderosa, mas não manda na Justiça, argumentou.

Stédile admitiu que as ocupações vão continuar, onde houver necessidade, embora isso não dependa de uma indicação sua. Isso não depende de ninguém.

Em qualquer região do Brasil, quando tem uma parte da população que está enfrentando algum problema com algum latifundiário ou com qualquer empresa, as comunidades têm total autonomia para se organizarem, se manifestarem e tomarem as decisões que quiserem.

Ele recomendou que a Vale contrate um sociólogo para explicar a natureza das lutas e dos movimentos sociais, o que eles querem e por que se mobilizam.

- Se a população está se mobilizando, não adianta eles da Vale quererem botar a culpa em mim. Eles deveriam perguntar para a população por que ela está se mobilizando - afirmou Stédile.

Stédile enfatizou que o governo deveria cumprir a sentença da juíza Selene Maria de Almeida, do Tribunal Regional Federal de Brasília, que determinou a anulação do leilão de privatização da Vale.

A Vale foi privatizada em 1997, ao preço de R$ 3,3 bilhões. A decisão da juíza foi dada em 20 de outubro de 2005 e reconhecia, segundo Stédile, que o leilão foi fraudulento e, portanto, a Vale deveria voltar a seus verdadeiros proprietários, que é o povo brasileiro'.