Exoneração de Ubiratan provoca crise na Segurança

JB Online

RIO - A exoneração do comandante da Polícia Militar, coronel Ubiratan ngelo, anunciada na terça-feira, abriu uma crise na segurança do Rio. Depois da queda de Ubiratan, 41 oficiais da corporação, 15 deles comandantes de batalhões, reuniram-se e decidiram pedir a exoneração do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame e a volta de Ubiratan.

O novo comandante-geral é o chefe do Serviço Reservado (P-2) do Estado-Maior da PM, Gilson Pitta Lopes. Beltrame ao anunciar o nome de Pitta para o cargo critciou a atuação de ex-comandante.

- Ele é um homem de bem, uma excelente pessoa, mas não tomou as rédias com relação ao movimento - justificou Beltrame.

O secretário referia-se à passeata organizada por policiais militares e bombeiros, neste domingo, nas orlas de Ipanema e do Leblon, até o prédio onde mora o governador Sérgio Cabral. Os manifestantes não foram punidos o que teria motivado a saída de Ubiratan. Os cerca de 500 participantes da passeata levaram faixas com dizeres como "o melhor carnaval do mundo, o pior salário do Brasil".

No posto de chefe do Estado-Maior assume o coronel Antônio Carlos Suarez David, que era responsável pelo Comando de Policiamento da Capital CPC).

O coronel Samuel Dionísio foi afastado. O secretário de Segurança Pública informou que também haverá troca em alguns comandos de batalhões, mas não indicou quais. Pitta é um dos nove coronéis da PM que assinaram em julho do ano passacdo, o manifesto dos Barbonos, profissionais de segurança pública, no posto de coronel, que se propõem resgatar a cidadania do policial militar, através de salários dignos e adequadas condições de trabalho. No documento, eles se comprometiam a não assumir cargos de comando na corporação até que as reivindicações fosse atendidas.

Segundo José Mariano Beltrame, Pitta aparentemente renunciou ao manifesto dos Barbonos e se colocou ao lado do comando da segurança pública do Rio. Um dos organizadores foi o ex-corregedor da PM, coronel Paulo Ricardo Paul, exonerado na semana passada e um dos oficiais que assinaram o manifesto dos Barbonos.

O secretário de Segurança Pública afirmou que apóia a reivindicação de aumento dos policiais, mas que o Brasil e o Rio de Janeiro não tem condições de dar reajustes maiores.

- O que foi possível foram os 4% que já foram dados - disse Beltrame.