Sérgio Côrtes anuncia novos investimentos na rede hospitalar

Joaquim Pereira, Agência JB

RIO - O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, anunciou o lançamento de um pacote de obras no valor de mais de R$ 30 milhões em praticamente todos os hospitais da rede. Ele também garantiu que vai aumentar o número de leitos, humanizar as portas de entrada dos hospitais, readequar o perfil das unidades para prestar um melhor serviço à população. Além disso, Côrtes, disse que o governo também está adquirindo equipamentos, como novos tomógrafos para os grandes hospitais, e já recebeu novos kits para neurocirurgia nos hospitais Azevedo Lima e Adão Pereira Nunes.

O secretário destacou também que uma das conquistas mais importantes foi a criação das UPAs, as Unidades de Pronto-Atendimento 24 horas.

- Até hoje, inauguramos duas UPAs (no Complexo da Maré e em Irajá), que já atendem a 500 pessoas por dia, em média. Desde a inauguração da UPA da Maré, em 30 de maio, até hoje, atendemos a 64.385 pessoas, com apenas 196 remoções para hospitais. Na de Irajá, inaugurada em 14 de agosto, já atendemos 41.356 pessoas, com 192 remoções. Isso mostra a capacidade de resolução das UPAs, que vêm ajudando a desafogar as emergências dos hospitais - afirmou.

Sérgio Côrtes explicou ainda que, do ponto de vista de gestão, renegociou contratos que possibilitaram uma significativa redução de custos, sem prejuízo do atendimento.

- Terceirizamos os serviços de laboratório, aumentando o número de exames, que antes eram realizados pelas equipes dos próprios hospitais, e reduzindo custos. Essa despesa, antes, chegava a R$ 120 milhões por ano, e em 2007 deverá ficar em torno de R$ 20 milhões, para a realização de 300 mil exames por mês, em média. Também conseguimos aumentar a produção dos nossos hospitais: o Serviço de Pronto-Atendimento atendeu a 77% mais pacientes em relação a dezembro de 2006 e o total de cirurgias aumentou 60%. Ou seja, ganhamos produtividade e reduzimos custos - lembrou.

Outro passo importante neste primeiro ano, segundo o secretário, foi o avanço em relação às fundações estatais de direito privado para administrar os hospitais.

- O projeto de lei que autoriza a criação dessas fundações já foi aprovado na Assembléia Legislativa. Elas serão essenciais para a melhor gestão das unidades.

Sérgio Côrtes enfatizou que neste primeiro ano de sua gestão conseguiu dar um salto rumo à melhoria da saúde no Rio de Janeiro.

- É importante frisar que o papel de uma Secretaria Estadual de Saúde não é administrar 28 hospitais, e sim gerir a saúde em todo o Estado, olhando para a capital e os municípios. Estes, aliás, vêm recebendo atenção especial no novo governo. Em setembro, lançamos um programa de financiamento às prefeituras para investimento em atenção básica que soma R$ 41 milhões por ano. Também estamos avaliando o envio de mais recursos, para melhorar a saúde em todo o Estado - ressaltou.

No entanto, Côrtes reconheceu que faltou organizar de forma mais ágil o suprimento de medicamentos excepcionais e também o abastecimento dos hospitais.

- Mas já estamos atuando para corrigir isso: informatizamos toda a nossa central de abastecimento e, hoje, temos um controle de estoque muito melhor do que o que havia. Estabelecemos um esquema de entregas mais ágil às unidades, evitando que elas acumulem estoques desnecessários e que, eventualmente, fiquem desabastecidas por períodos mais longos.

Sérgio Côrtes disse também que, na área da saúde, há um subfinanciamento de recursos em todo o país.

- O Brasil, como um todo, investe menos no setor do que outros países latino-americanos. A falta de recursos é um limitador para os gestores da saúde - adestacou.

Por outro lado, segundo ele, o fato de sermos um Estado pequeno, com apenas 92 municípios, torna os problemas de mais fácil solução.

- Todos os caminhos convergem para um ponto: a atenção básica. Precisamos investir em prevenção e promoção da saúde, evitando que a população adoeça. Não é mais possível governar sob um modelo hospitalocêntrico, de construção de hospitais - concluiu.