Cardoso: Área de ciência e tecnologia do Rio é exemplo para o Brasil

Joaquim Pereira, Agência JB

RIO - O secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, disse que conseguiu realizar um sonho ao repassar 2% da receita tributária líquida do Estado para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e ressaltou que a área de ciência e tecnologia do Estado é um exemplo para o Brasil. Cardoso garantiu que, na área de qualificação profissional, não vai haver apagão de mão-de-obra no Rio de Janeiro.

Segundo ele, nos últimos quatro anos, a Faperj empenhou recursos da ordem de R$ 90 milhões e este ano o governo vai empenhar mais de R$ 190 milhões. - Significa um aumento de 100% no orçamento para a ciência, a tecnologia e a inovação - afirmou Cardoso.

JB Online - Ao término de quase um ano de administração, quais as principais realizações da secretaria?

Alexandre Cardoso - O mundo se faz de sonhos. Nós sonhamos que iríamos realizar o repasse dos 2% da receita tributária líquida do estado para a Faperj e conseguimos realizar esse sonho, graças à vontade política do governador Sérgio Cabral. Vou dar um exemplo do que significa isso: nos últimos quatro anos, a Faperj empenhou recursos da ordem de R$ 90 milhões e esse ano vamos empenhar mais de R$ 190 milhões. Significa um aumento de 100% no orçamento para a ciência, a tecnologia e a inovação.

Houve uma ampliação dos cursos de ensino à distância, na área universitária; e o Rio de Janeiro foi o primeiro estado a oferecer ensino técnico à distância. Houve um grande avanço nas áreas relacionadas ao Cederj. Já no âmbito da Faetec, um passo fundamental: estamos criando condições para a qualificação de 100 mil pessoas por ano. Temos os CVTs, Centros Vocacionais Tecnológicos, parcerias com empresas como a Petrobras e a recuperação física da Faetec, que deixou de ser uma instituição que andava perto da desmoralização para ser referência. O CVT de Saracuruna é hoje um modelo não só para o Brasil, mas um local que recebe visitas de fora, representações da Argentina, do Uruguai, do Chile.

Imaginem ter uma escola pública onde professores da USP, do ITA e do IME podem dar uma aula através do recurso da videoconferência e os alunos podem usar quadros interativos. No Prodej, estamos regularizando toda a situação ao transferir o computador de grande porte da Uerj para dentro do Serpro. Nas universidades, estamos com processos de recuperação na Uerj, onde aumentamos recursos para a área de pessoal, estamos investindo em alguns programas como a abertura da unidade perinatal, a recuperação do incêndio que afetou a instituição recentemente e o projeto do restaurante popular. Na Uezo, não há mais o problema da falta de professores e fizemos recuperações estruturais na parte de rampas e elevadores. Já na Uenf, conseguimos recursos para pagar o Centro de Convenções, que foi 100% feito anteriormente, mas que não tinha sido pago. Temos a interiorização do ensino superior no norte fluminense através da Uenf e em todo o estado através da Uerj, com o fortalecimento da Uezo. Estamos agora em contato com o LNCC para a recuperação do serviço de meteorologia do estado, outro ponto importante que vamos enfatizar em 2008. O que podemos observar é que a secretaria se torna um modelo na qualificação profissional, no investimento em ciência e nas parcerias para a inovação tecnológica.

O maior investimento em inovação tecnológica na história do estado do Rio é o convênio Finep/Faperj, onde serão colocados R$ 30 milhões para a inovação de pequenas e micro empresas. O que nós temos hoje é a área de ciência e tecnologia do Estado do Rio de Janeiro sendo exemplo para o Brasil. E na área de qualificação profissional, nós podemos afirmar que não vai haver apagão de mão-de-obra no Rio de Janeiro.

JB Online - Em algum momento sentiu o gosto da derrota? Ou o que faltou fazer?

Alexandre Cardoso - Essa expressão (derrota) não fez parte em nenhum momento de nossa gestão. O que estamos enfrentando, e vamos deixar claro, é a questão dos entraves burocráticos. Temos que ter legislações mais ágeis para dar respostas mais ágeis. Queremos discutir com o Ministério Público, o Tribunal de Contas; porque eles mesmos acabam tendo que fazer este processo de engessamento, porque a lei nos obriga. Então, temos que fazer um grande seminário para discutir os controles internos, pois o Tribunal de Contas e o Ministério Público têm dado uma grande contribuição, mas não podemos permitir que instrumentos importantes da democracia impeçam o desenvolvimento ou de alguma forma impeçam a agilidade das respostas.

Causa uma certa angústia a demora em algumas soluções, mas também não podemos transpor a lei. Temos que realizar esse debate, para que possamos com transparência, segurança e agilidade dar respostas mais rápidas de qual é a posição do estado. Não pode o Estado dar respostas do tempo da máquina de escrever, quando nós estamos no tempo da tecnologia da informação.

JB Online - É difícil ser secretário em um Estado como o Rio de Janeiro?

Alexandre Cardoso - Eu diria que era difícil ser um servidor público de um Estado na forma como se encontrava o Rio de Janeiro. O fornecedor não acreditava que o pagamento era em dia. A gestão não andava porque todo mundo tinha desconfiança das transparências...então, essa máquina estava não só burocratizada, mas desacreditada. A recuperação da credibilidade foi o primeiro passo que o Estado deu. O segundo passo é com a gestão. Nós todos damos agilidade à gestão. Volto a falar da angústia: a minha é que as respostas sejam demoradas, porque pegamos uma instituição que não tinha credibilidade no mercado e que tinha uma gestão que não era qualificada. Foi muito difícil assumir uma gestão na qual a máquina não tinha qualidade e que ninguém sabia se ela ia chegar. Hoje, nós podemos garantir que a máquina vai chegar e com qualidade.