Suspeito de matar Tim Lopes é transferido para o Rio

Portal Terra

RIO - O homem preso suspeito de envolvimento na morte do jornalista Tim Lopes, em 2002, foi transferido na manhã desta terça-feira para o Rio de Janeiro. O ajudante de pedreiro, identificado como J.S.T., estava detido na sede do grupo de elite da Polícia Civil de Maceió (AL) desde a última sexta-feira. As informações são da TV Gazeta.

Tim Lopes foi capturado, torturado e morto quando fazia uma reportagem na Vila Cruzeiro, região do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Carlos Alberto Reis, Telles foi reconhecido por populares depois da divulgação de seu retrato-falado no programa Linha Direta.

O suspeito teria confessado o crime à polícia após ser preso. Ele também teria dito que fazia parte do Comando vermelho e que cometeu pequenos assaltos em Alagoas.

Telles morava no Trapiche da barra, na periferia de Maceió. O delegado-geral disse não saber há quanto tempo o suposto criminoso vivia na cidade.

Em depoimento à polícia, ele contou com detalhes como o bando liderado pelo traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, seqüestrou, "julgou", torturou e matou o repórter. De acordo com J., depois de ter sido descoberto com uma câmera oculta na favela Vila Cruzeiro, Penha, o jornalista foi colocado à força no porta-malas de Audi A3.

Levado até um local isolado da comunidade, Tim teria sido amarrado a uma árvore e espancado por todo o grupo. Alheio aos pedidos de clemência do repórter, que, segundo ele, implorava para não ser morto, Elias Maluco teria usado espada ninja para feri-lo.

O relato do jovem confirma que, em seguida, os criminosos iniciaram uma sessão brutal de torturas contra o jornalista, que ainda teve o corpo queimado. J. descreveu aos policiais alagoanos o passo-a-passo da selvageria contra Tim Lopes.

Garantindo que tinha apenas 12 anos na época do crime, J. afirmou que foi incumbido por Elias Maluco de atear fogo ao corpo de Tim. Para não deixar que as chamas apagassem, ele teria lançado gasolina mais duas vezes no repórter. Por sua participação no assassinato, o jovem afirma ter recebido R$ 250, que teria sido usado na compra de roupas.

Além dele e do líder da quadrilha, pelo menos mais sete traficantes também teriam integrado o grupo responsável pela execução. Segundo J., a sessão de tortura teria começado por volta de meia-noite e se estendido até as 3h. O dia exato do crime, no entanto, ele alega não se lembrar.