Mais dois feridos na Vila Cruzeiro

Agência JB

RIO - Mais duas pessoas foram vítimas de balas perdidas, agora a pouco, na localidade da Grota, na Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio. A guerra entre PMs e traficantes de drogas do local já contabiliza 44 feridos.

Diogo de Souza Nunes, de apenas três anos, foi atingido de raspão nas costas. Já David da Silva, de 22 anos, foi baleado no braço esquerdo. Ambos estão sendo atendidos no Hospital Getúlio Vargas (HGV), também na Penha.

Uma equipe do Bope continua encurralada no Beco do Sabino, na Vila Cruzeiro. Os policiais subiam a favela a pé, já que barricadas de carros roubados feita pelos traficantes impede a subida de viaturas. Um dos veículos blindados da PM, os chamados "Caveirões", foi em auxílio dos policiais.

Agentes das policias federal, civil e militar fazem uma mega-operação de captura a traficantes, desde a manhã desta quinta-feira, no Complexo do Alemão, na Penha, Zona Norte do Rio.

Pelo menos 100 agentes do Bope, 30 da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), e homens do 3º BPM (Méier), 6º BPM (Tijuca), 9º BPM (Rocha Miranda), 16º BPM (Olaria), 17º BPM (Ilha), 22º BPM (Complexo da Maré) e 23º BPM (Leblon) participam da ação.

A operação conta com o apoio da Polícia Federal e tem como objetivo vasculhar locais apontados como possíveis esconderijos de traficantes e depósitos de armas, nas localidades da Fazendinha e da Grota. Um helicóptero e quatro caveirões foram deslocados para reforçar a ação.

Os policiais do Bope entraram na favela da Grota pela Rua Joaquim Queirós e os agentes da Core tomaram a Fazendinha pela Rua Canitá.

Durante a manhã, Gilberto de Jesus dos Santos, de 63 anos, foi baleado na barriga na localidade da Chatuba. Ele deu entrada no HGV por volta das 9h e está sendo operado. Outras duas pessoas teriam morrido.

A Vila Cruzeiro, que integra o Complexo do Alemão, está ocupada há nove dias por homens do Bope e do Batalhão de Choque da Polícia Militar. A ação na favela, que estava tranquila nos últimos dois dias, será intencificada.

Desde o início da operação, no dia 2, moradores da região estão enfrentando o medo de tiroteios constantes que já deixaram sete mortos e 32 feridos. Com o clima tenso, o comércio funciona com restrições e as escolas estão fechadas. Cerca de 3.500 crianças deixaram de ir às aulas desde o início dos confrontos.

Moradores disseram que algumas lojas de departamentos estão se recusando a fazer entregas no morro, para preservar seus funcionários. Com isso, várias mulheres deixarão de receber seus presentes do Dia das Mães. O lixo na Vila Cruzeiro também não está sendo recolhido. A Comlurb informou que apenas quando o clima se normalizar o trabalho de recolhimento será normalizado.