Jornal do Brasil

Rio - Eleições 2018

No primeiro debate na TV, candidatos ao governo trocam farpas e apresentam poucas propostas

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A Band realizou nesta quinta-feira (18) o primeiro debate transmitido pela TV no segundo turno entre os candidatos ao governo do Estado do Rio de Janeiro Eduardo Paes (DEM) e Wilson Witzel (PSC). Mais uma vez ficou clara a inversão de papéis dos dois candidatos nessa segunda etapa do pleito em relação aos confrontos de ideias no primeiro turno. Se era Witzel quem assumia comportamento mais agressivo, atacando adversários , e Paes evitava polêmicas e lamentava o uso do tempo para troca de acusações em lugar da discussão dos programas, agora é Paes quem parte para o ataque — Witzel devolve na mesma moeda, mas mantém uma conduta mais reativa, porém defensiva, procurando fazer perguntas sobre programas de governo, quando parte dele a primeira palavra.

Primeiro bloco

A primeira pergunta foi feita por Eduardo Paes. O candidato do DEM questionou Wilson Witzel sobre o período em que ele foi juiz federal no Espírito Santo. O ex-prefeito chamou o ex-juiz federal de "falso caçador de bandidos valentão" e citou entrevista de Witzel ao portal G1, na qual o candidato do PSC diz que bandidos 'conseguiram intimidá-lo'. "Na oportunidade que o candidato Witzel teve de combater o crime ele pediu para sair. Ele não teve capacidade de enfrentar os que o ameaçavam", disparou Paes.

Witzel rebateu dizendo que o candidato do DEM era um covarde por não ter armado a Guarda Municipal. "A Guarda Municipal pode e deve ajudar na segurança pública. E, deve ser armada. Você não tem capacidade para fazê-lo", disse o ex-juiz federal.

Macaque in the trees
Os candidatos ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM) e Wilson Witzel (PSC), participam de debate para o segundo turno das eleições 2018 (Foto: Bruno Kaiuca)

Na troca de farpas, Eduardo Paes pediu direito de resposta, que não foi concedido.

Em outra pergunta envolvendo segurança pública, Wilson Witzel disse que não quer ir a funeral de policial, mas com a política de confronto que defende é impossível. "Quem mata, também morre e não é o ideal para o Rio. O que queremos é polícia com inteligência", comentou o ex-juiz federal.

Witzel perguntou a Paes sobre a situação da saúde no estado. Os dois voltaram a trocar farpas, e Witzel falou que Eduardo Paes 'não é bem visto no setor'.

Segundo bloco

No segundo bloco, os candidatos voltaram ao confronto direto. Na pergunta formulada a Paes, Witzel atrela Jorge Picciani e Sérgio Cabral ao ex-prefeito do Rio. Na resposta, o candidato do DEM diz que "quem precisa se proteger" é Witzel. "Você não tem nada a ver com o Moro e com o Brêtas", disparou Eduardo Paes.

"Quem anda com o Picciani é você. Você quem financia os filhos do Picciani. Você come na mesa do Cabral e divide os guardanapos com o Cabral", alfinetou o ex-juiz federal. "É muita injúria, mas não vou te dar voz de prisão. Seria irresponsável te falar essas coisas. Não há qualquer acusação formal contra mim", disse Paes. "Tinha que conviver com o governador do estado, com o presidente da Assembleia, com o presidente da República", completou.

Eduardo Paes perguntou a Witzel sobre o vídeo no qual o ex-juiz aparece ensinando colegas a ganhar R$ 4 mil. "Você acha que é exemplo de ética ensinar os outros a fazer isso?"

Witzel pediu "desculpas" ao eleitor pela pergunta formulada pelo adversário, pois não lhe dava espaço para discutir propostas para o Estado. "Eu não ensino juiz a fazer nada ilegal. Mas você ensinou seu secretário de obras a como fraudar os contratos. Isto está na delação dele. Esse tipo de coisa nunca vou ensinar para ninguém", respondeu o ex-juiz.

Eduardo Paes pediu direito de resposta, que, desta vez, foi concedido. "Um ex-secretário meu foi pego cometendo um crime, infelizmente foi preso. Nunca citou meu nome e, 48 horas antes da eleição aparece falando coisas contra mim. A prova do 'ouvi dizer' é desprezada pelo juiz. O Alexandre Pinto diz que 'ouviu dizer'", disse o ex-prefeito.

Já respondendo sobre bilhete único e RioCard, Wilson Witzel respondeu: "Vamos pegar o Riocard para administrar pelo estado. Acabando com a corrupção, teremos dinheiro de sobra". Eduardo Paes disse que, "em relação ao bilhete único intermunicipal, temos que aumentar o tempo. Três embarques em três horas."

Terceiro bloco

No terceiro bloco, Eduardo Paes voltou a perguntar qual relação Witzel tem com o empresário Mário Peixoto. O ex-juiz, mais uma vez, desconversou e atrelou novamente a figura de Jorge Picciani a Paes. Disse que procurou "muitas pessoas" antes e durante a campanha e citou o nome do economista Paulo Rabello de Castro.

Paes atacou Witzel e suas relações mais uma vez, dizendo que Rabello de Castro, do partido do ex-juiz e vice na chapa de Alvaro Dias, derrotada na eleição presidencial, foi citado na Operação Lava Jato. "Você possui relações que infelizmente mancham a imagem do nosso Rio de Janeiro", disparou o ex-prefeito.

O ex-juiz, então, foi enfático: "Eu não possuo relação alguma com Mário Peixoto. Nenhum deles [os citados por Paes] faz parte da minha equipe".

Witzel perguntou para Paes sobre os planos do programa de segurança pública dele para o Rio. O ex-prefeito respondeu que, caso eleito, a primeira coisa que fará "é pedir para as Forças Armadas permanecerem por aqui". O candidato do DEM também garantiu que vai "viabilizar os recursos para ter uma Polícia pronta para enfrentar a criminalidade."

O ex-juiz voltou a dizer que o adversário não considerava a Guarda Municipal. "Nós vamos contratar 3 mil novos policiais já em janeiro. Nós vamos tirar o dinheiro do fim das vistorias do Detran e do remanejamento dos imóveis do Detran", completou Witzel. O fim das vistorias do Detran também era proposta de Pedro Fernandes, derrotado no primeiro turno. O pedetista declarou apoio ao ex-juiz, enquanto seu partido ficou do lado de Eduardo Paes.

Na pergunta feita pelo jornalismo da Bandeirantes, sobre o envio ou não de presos para penitenciárias federais, Paes afirmou que a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) será uma prioridade em seu governo. "Precisamos reestruturar o sistema penitenciário, colocar os presos para trabalhar", prometeu.

Wilson Witzel também garantiu que dará "todo apoio a Seap e irá reestruturar todo o sistema penitenciário". O ex-juiz federal prometeu que, caso eleito, irá investir em tecnologia a fim de melhorar a estrutura das penitenciárias.

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Os candidatos ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM) e Wilson Witzel (PSC), participam de debate para o segundo turno das eleições 2018 (Foto: Bruno Kaiuca)

Quarto bloco

No quarto e último bloco, Paes e Witzel seguiram a mesma toada, com muitas trocas de farpas e deboches. O ex-juiz perguntou a Paes como o candidato vai discutir a reforma da previdência dos militares. "Se tiver alguma reforma da previdência a ser feita não servirá para essa categoria. Quero reiterar meu compromisso com os militares, que vamos proteger", garantiu o ex-prefeito. "Eu vou manter as regras, buscar sempre proteger aqueles que sempre estão defendendo as nossas famílias. Minha prioridade é a segurança pública, junto com a saúde. Sou um chefe que cobra muito", completou.

Já o ex-juiz disse que "a previdência dos militares é uma coisa muito grave. Vou seguir o que for decidido nacionalmente. A categoria dos militares precisa de um tratamento diferenciado."

Eduardo Paes, na pergunta seguinte, comentou que Witzel se "apresenta como um candidato com valores cristãos". No entanto, destacou que o ex-juiz estava presente no dia da destruição da placa em homenagem a Marielle Franco, vereadora executada. "O senhor acha que aquela manifestação representa comportamento cristão? Enaltecer o assassinato de uma pessoa?", indagou.

"Em momento algum ofendi a memória de Marielle. Não tolero qualquer tipo de violência. Vamos investigar com rigor [o caso Marielle], vou ajudar com meus conhecimentos orientar nossa polícia", respondeu Witzel. "É muito chocante que qualquer pessoa que preze pelos valores familiares enalteça o assassinato de um ser humano", reforçou Eduardo Paes.

Na pergunta formulada pelo departamento de jornalismo da Bandeirantes, sobre alíquotas de ICMS, arrecadações e impostos, Witzel prometeu que "nos seis primeiros meses irá trabalhar para ter os estudos necessários para abaixar essas cobranças". Já Eduardo Paes respondeu dizendo se tratar de "uma carga tributária muito elevada, que gera uma função antieconômica". O candidato do DEM afirmou ainda que irá "trabalhar muito para reduzir a carga tributária no estado do Rio de Janeiro" e que, enquanto prefeito, aumentou a arrecadação sem aumentar impostos.

Considerações finais

Eduardo Paes

"É um caso de amor com o Rio de Janeiro. Acredito que dá pra recuperar e transformar. Nós vamos virar esse jogo, o estado vai voltar a olhar para frente."

Wilson Witzel

"Eu tenho certeza que você está escolhendo alguém que tem compromisso com a ética e a dignidade. As pessoas esperam um governador que lhe dê esperança. Quero ser esse governador."



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