Blocos de rua vão das críticas às homenagens

Foliões do Boitatá lembram de Fabrício Quieroz a Alfredinho, do Bip Bip

Em seu 23º carnaval, o bloco Cordão do Boitatá animou, ontem, os foliões em um show na Praça XV. De acordo com estimativas da prefeitura, a festa, que começou pouco depois das 11h, reuniu cerca de 50 mil pessoas e se prolongpi até o final da tarde. "O carnaval do Boitatá traz a coisa da fantasia, em todos os seus sentidos, e da musicalidade. Para a gente, o carnaval é sobretudo um lugar onde a música, a união, o espírito coletivo e a cultura encontram sua máxima potência", disse o saxofonista Thiago Queiroz, um dos fundadores do bloco.{'nm_midia_inter_thumb1':'https://midias.jb.com.br/_midias/jpg/https://midias.jb.com.br/_midias/jpg/2019/03/03/97x70/1__fup201903031099-292324.jpg', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5c7c27f70741f', 'cd_midia':292356, 'ds_midia_link': 'https://midias.jb.com.br/_midias/jpg/2019/03/03/627x418/1__fup201903031099-292324.jpg', 'ds_midia': 'Acima, foliões do Cordão do Boitatá satirizam a Reforma da Previdência proposta pelo governo Jair Bolsonaro. Ao lado, a Banda de Ipanema arrasta uma multidão à base de irreverência e muitas marchinhas de carnaval
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Morador do Méier, Ramon Araújo chegou cedo, por volta das 8h, vestido do personagem dos videogames Super Mario. "Boitatá é o meu único bloco certo de vir no carnaval. Eu gosto porque tem um palco e é um esquema de show, com boa estrutura para comportar muita gente. E é um bloco tradicional", explicou.

Durante a execução da música "Estação Derradeira", de Chico Buarque, o Boitatá fez uma homenagem a Alfredo Jacinto Melo, o Alfredinho, proprietário do bar Bip Bip, tradicional reduto do samba em Copacabana, que morreu na tarde de sábado, aos 75 anos.

O Cordão do Boitatá começou como um bloco de cortejo carnavalesco há 23 anos. Desde 2006, o cordão também apresentava em palco montado na Praça XV.

Queiroz não é poupado

Um grupo de 48 foliões aproveitou o carnaval de rua do Rio para fazer piada com as suspeitas envolvendo movimentações financeiras atípicas pelo ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) Fabrício Queiroz.

O professor de geografia Faber Paganoto, de 36 anos, estava fantasiado de caixa eletrônico, enquanto os outros 47 foliões vieram de "cheques laranjas" de R$ 2 mil, numa alusão aos depósitos frequentes que o ex-assessor fazia e recebia para outros funcionários do gabinete de Flávio quando o senador e filho do presidente Jair Bolsonaro era deputado estadual no Rio.

Paganoto contou que organizou a fantasia de protesto pelas redes sociais. "Joguei a ideia no stories e as pessoas foram se juntando", disse Paganoto, explicando que os 48 foliões estão formados por grupos de amigos, alguns que nem se conheciam anteriormente.

O professor posou para fotos em grupo em frente à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Várias das movimentações financeiras suspeitas foram feitas em caixas eletrônicos da Alerj. As movimentações foram identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em relatório feito a pedido do Ministério Público Federal do Rio. O grupo de foliões seguia para o baile de carnaval do Cordão do Boitatá.

Banda de Ipanema

Em clima de irreverência e descontração, milhares de foliões marcaram presença na tradicional Banda de Ipanema pelas ruas do bairro. O tom da festa foi dado pelas marchinhas do carnaval antigo que marcaram época e nos tradicionais sambas-enredo das escolas de samba na passagem pela orla do bairro e também do seu grande homenageado deste ano, deste ano, o cantor Paulinho da Viola.

A banda que é patrimônio Cultural da Cidade do Rio de Janeiro, não usa carro de som nos desfiles. O som vem dos instrumentos e do canto direto dos seus músicos profissionais e amadores, que fazem o desfile a pé junto aos foliões.

O presidente da Banda de Ipanema, Cláudio Pinheiro, 83 anos, disse "que o ponto alto da passagem da banda é a irreverência e pé no chão".

A técnica de enfermagem Fernanda Teodoro não perde os desfiles do bloco. Ela emendou a folia do Cordão da Bola Preta com a da tradicional banda, que saiu à tarde. "O carnaval do Rio é o melhor que tem. Eu já desfilei em outros lugares, mas não tem nada igual à apresentação da banda", disse.

Andrea Procoli foi outra que reuniu fôlego para aproveitar os dois blocos tradicionais. Ela e a família saíram cedo de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e capricharam na fantasia de "Joaninha". "Há mais de cinco anos eu saio na Banda de Ipanema. É muito bom aqui. É uma banda tranquila, familiar e a gente consegue curtir com total segurança", avaliou.

Chuva atrapalha

Com o temporal que desabou no Rio no fim da tarde, o Simpatia é Quase Amor, terminou a festa antes da hora, apesar de os foliões terem encarado a Avenida Vieira Souto alagada. Na Tijuca, o bloco Marcha Nerd também teve que interromper a festa na Praça Xavier de Brito, logo após sua apresentação. (Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

 



Acima, foliões do Cordão do Boitatá satirizam a Reforma da Previdência proposta pelo governo Jair Bolsonaro. Ao lado, a Banda de Ipanema arrasta uma multidão à base de irreverência e muitas marchinhas de carnaval
Banda de Ipanema amina os foliões com o seu 55º desfile de carnaval, na zona sul da capital fluminense.