Unidos da Tijuca vai encerrar os desfiles do Grupo Especial de domingo e promete levar mensagem de amor ao Sambódromo

Tomaz Silva/Agência Brasil
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A Unidos da Tijuca vai encerrar os desfiles de amanhã do Grupo Especial e promete uma apresentação de impactos. A sétima escola a entrar na avenida vai levar ao público o enredo "Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome" e quer mostrar uma mensagem de amor ao próximo.

Na sinopse do enredo, a Tijuca explica que a expressão cada macaco no seu galho "nem de longe lembra o significado primitivo do termo, que era usado para discriminar a população negra". No contexto do desfile, significa cada um fazendo o que lhe cabe em busca de uma sociedade melhor.

O enredo foi desenvolvido pela comissão de carnaval que tem como diretor Laíla e ainda os carnavalescos Annik Salmon, Hélcio Paim, Marcus Paulo e Fran Sérgio.

A Tijuca, que teve carnavais marcados por alegorias vivas em que os componentes se movimentavam e chegavam a mudar a estrutura de cada uma, vai para a avenida este ano com uma novidade. Antes de cada carro alegórico virá um grupo de componentes fazendo teatralizações conforme a parte do enredo. O número de integrantes varia entre 28 e 80.

Macaque in the trees
Detalhes de fantasias da Unidos da Tijuca, no barracão da agremiação na Cidade do Samba. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

"Tem um ato que são com 80 negros numa encenação bem forte. Tem outro que é a peregrinação de Cristo, que são 30 pessoas. O ato pede uma quantidade específica para demonstrar melhor a parte do enredo", adianta Jan Oliveira, responsável pela preparação dos atos cênicos.

Encenação

Para o ator, diretor, coreógrafo e dançarino, o público vai se surpreender com as encenações. "Chama atenção da arquibancada que acaba vendo com outros olhos e entende melhor o enredo, porque os componentes falam corporalmente o que se pretende contar. Vai ser bem impactante. São coisas bem fortes de se ver", afirmou.

Jan chegou à Tijuca atendendo a um convite de Laíla, depois de o diretor deixar, no ano passado, a Beija-Flor, onde já tinham trabalhado juntos. Jan fez encenações semelhantes nos desfiles da azul e branco de Nilópolis em 2017 e em 2018.

Segundo Jan, os componentes da escola compraram a ideia. "No início acharam tudo muito diferente e ficaram acanhados, porque representar é diferente de dançar em uma ala coreografada, mas descobriram que podem fazer outras figuras na avenida e representar somente com o corpo. Para eles acabou sendo um desafio", diz.

Alguns componentes dos atos já atuaram nas apresentações anteriores, mas integrantes da Tijuca também pediram para participar. A dificuldade foi juntar tanta gente com horários diferentes para ensaiar.

Criatividade

A falta de alguns materiais para confeccionar as alegorias e fantasias obrigou os carnavalescos a usarem ainda mais de criatividade, o que ajudou também a driblar a queda de recursos financeiros. "A gente usou muita palha, muita cesta, muita espuma", diz o carnavalesco Fran Sérgio.

De acordo com ele, a Tijuca vai surpreender em vários momentos, principalmente, porque fala da fé. "No meio do desfile da Unidos da Tijuca é onde vem a figura de Jesus Cristo de várias formas. Isso para mim é o que vai surpreender no amanhecer. Vai ser a sétima do desfile que começa no domingo, trazendo essa temática tão profunda com o dia clareando", afirma.

Macaque in the trees
Acima, detalhe de uma alegoria no barracão da escola, na Cidade do Samba. Ao lado, o carnavalesco Fran Sergio, que apostou na criatividade para driblar as dificuldades com o orçamento este ano, que teve corte da prefeitura de metade dos recursos: "A gente usou muita palha, muita cesta, muita espuma" (Foto: Fotos de Tomaz Silva/Agência Brasil)

Fran Sérgio lembrou que o público costuma aguardar o desfile da escola mesmo sendo a última a entrar na avenida. "As pessoas sempre esperam a Tijuca, ainda mais com esse tema, todo mundo vai ficar lá para ver o que a Tijuca vai trazer", acredita.

Para o carnavalesco, a intenção foi fazer um enredo que tocasse o coração das pessoas. "O amor é a solução para as mazelas sociais. Está tendo muito ódio e muita desunião. Isso é falta de amor. Então a Tijuca traz a mensagem do filho de Deus, a mensagem de Jesus Cristo que é o pão da vida. A gente traz isso para a avenida, amor, caridade, igualdade", diz.

Samba

Segundo Fran Sérgio, na briga pelo título, a Tijuca tem no samba um ponto forte. "Fala da situação que o país vive, da fome, das pessoas que ainda hoje não têm pão na mesa para comer. Não é só dizer que os políticos não fazem o que têm que fazer. A gente está fazendo? A gente tem mais amor pelo outro ou não? Você faz caridade? É uma mensagem realmente de Deus que a Tijuca traz", argumenta.

Uma mostra de que o samba se tornou popular é a lotação da quadra da escola nos ensaios. "A Tijuca está preparada para fazer um grande espetáculo e emocionar todo mundo. Os componentes compraram o samba. Quem vem ao ensaio da Tijuca se arrepia todo. É avassalador. É divino. A Tijuca vai vir assim: divina", aposta. (Agência Brasil)



Detalhes de fantasias da Unidos da Tijuca, no barracão da agremiação na Cidade do Samba.
Detalhes de fantasias da Unidos da Tijuca, no barracão da agremiação na Cidade do Samba.
O carnavalesco Fran Sergio da Unidos da Tijuca, fala no barracão da agremiação na Cidade do Samba.
Acima, detalhe de uma alegoria no barracão da escola, na Cidade do Samba. Ao lado, o carnavalesco Fran Sergio, que apostou na criatividade para driblar as dificuldades com o orçamento este ano, que teve corte da prefeitura de metade dos recursos: "A gente usou muita palha, muita cesta, muita espuma"