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'Onde poder público não atua, atua o poder paralelo', diz vizinha de prédios colapsados no Rio

Sobreviventes relataram que as construções ainda estavam em obras

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"Onde poder público não atua, atua o poder paralelo", diz a advogava e professora universitária Maíra Lima Vieira, 36.

Ela mora num prédio vizinho aos dois que colapsaram na sexta (12) em Muzema, região na zona oeste carioca sob influência da milícia.

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(Foto: Centro de operação da Prefeitura do RJ)

Maíra, contudo, criticou a ideia difundida na esteira da tragédia de que "todo mundo aqui é miliciano, bandido, espertalhão".

"Não é", disse neste domingo (14), terceiro dia de buscas da tragédia que já vitimou nove pessoas. Bombeiros continuam a procurar por desaparecidos, e sob ameaça de novas chuvas fortes no Rio.

O temporal no começo da semana passada deixou o condomínio Figueira do Itanhangá, onde os edifícios caíram, devastado. Ainda há muita lama pelas ruas e entulhos carregados pelas águas.

Maíra contou que ligou "20, 30, 50 vezes" para o poder público depois do dilúvio. Ninguém foi lá, diz.

E onde tem vácuo do Estado, tem oportunidade para o poder paralelo. Mas a advogada afirma que "se tem miliciano, tem um só". A maioria que mora ali é "gente de bem, trabalhador".

"Quem tem um milhão não mora aqui, mora no Leblon, mora em Ipanema", continua. Ela diz que pagou R$ 200 mil por seu apartamento, temporariamente interditado pelo Corpo de Bombeiro.

Ela carrega uma mala, uma bolsa de araras e um guarda-chuva, o que conseguiu retirar neste domingo. Uma amiga a acolheu na Vila da Penha, zona norte da cidade.

Maíra costuma acordar cedo para preparar aulas. Na sexta, ouviu gritos e foi para a janela. Telefonou para os bombeiros ao constatar o colapso das construções irregulares.

"Foi terrível ver pessoas correndo, se machucando, muito triste mesmo ver a vida se esvaindo em questão de segundos."

Sobreviventes relataram que as construções ainda estavam em obras. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar quem são os responsáveis pelo condomínio.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), esteve na área na manhã desta sexta (12). Saiu sem falar com a imprensa e foi vaiado por moradores da região. A prefeitura informou apenas que os prédios eram irregulares.