Jornal do Brasil

Rio

'Estragos da chuva poderiam ser minimizados no Rio com planejamento', defende engenheiro

Existem inúmeras medidas de baixo custo para solucionar, mas precisa de gestão, explica engenheiro Geraldo Lopes da Silveira

Jornal do Brasil ANA PAULA SILVEIRA*, ana.silveira@jb.com.br

Não é novidade que quando chove, o Rio de Janeiro vira um verdadeiro cenário de 'caos' com: alagamentos, trânsito e deslizamentos de terra. O forte temporal que começou na última segunda-feira (8) deixou 7 mortos e deixa uma pergunta no ar para cariocas e moradores: Por que o Rio de Janeiro sofre com temporais e chuvas? 

A questão é antiga, corriqueira e frequentemente causa prejuízos e riscos à população por falta de planejamento por parte dos gestores públicos que gostam de colocar a culpa nas 'mudanças climáticas', explica o doutor em engenharia de recursos hídricos e saneamento ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o engenheiro civil Geraldo Lopes da Silveira.

Macaque in the trees
Chuvas no Rio (Foto: CARL DE SOUZA / AFP)

"Em geral as chuvas que causam danos são temporais naturais, onde a infraestrutura urbana deveria ter condições de enfrentar. Sistema de lixo eficiente, rede de drenagem bem dimensionada, retenção da água dos telhados em reservatórios superficiais e subterrâneas para reter os volumes infiltrados por meio de pavimentos permeáveis". 

Outro alerta é para o risco de doenças de veiculação hídrica como a Leptospirose, oriunda do xixi do rato, onde qualquer pessoa que caminha na inundação pode contrair a doença. 

'Prevenir é melhor do que remediar', diz especialista

Ele também  afirma que as condições geográficas do Rio são naturalmente propensas às cheias, mas que existem maneiras de prevenir a situação e simples com 'planejamento'. 

"As chuvas são fenômenos naturais, que sempre ocorreram, podem até serem modificadas em micro clima urbano. Mas o que provoca o caos é a desarrumação urbana. Impermeabilização das superfícies e sistema de lixo ineficiente", explica. 

O maior agravante é o fato de não ter medidas simples que poderiam minimizar os estragos da chuva com  organização, o considerado 'feijão com arroz',  como por exemplo:  a limpeza e manutenção dos bueiros e das ruas.  "Está sim faltando gestão e planejamento, pois com bueiros selados, a água piora a situação da impermeabilização das superfícies. A água não tem para onde ir, não pode infiltrar no solo, nem para as canalizações pluviais", explica o especialista. 

É preciso garantir a execução de planos e o cumprimento de regras de ocupação e construção.  especialista lista algumas medidas que não são grandes obras, mas podem contribuir para evitar cenários como o que vem se repetindo quando chove no Rio, com investimentos no sistema de coleta das águas que caem nós telhados em reservatórios; pavimento permeável que não deixa a água escorrer na superfície, pois a infiltra. "São inúmeras medidas de baixo custo, mas precisa gestão. É bom lembrar que Prevenir é 100 vezes mais barato que remediar. A Vale de Brumadinho que o diga".

Diante destas questões, qual é o grande desafio do Rio para os próximos períodos e para evitar a repetição destas tragédias que envolve a natureza? Silveira avalia que é uma 'gestão adequada', planejada e responsável dos resíduos sólidos e da drenagem urbana. "São medidas de prevenção e não de remediação", defende ele, que completa: "Claro que alguma grande obra, se houve espaço urbano pode ajudar, mas só será eficiente depois de arrumar a casa".