Rio

Justiça sequestra R$ 80 milhões de 'Rei do Ônibus'

Dinheiro de Jacob Barata Filho irá para fundo de segurança do estado

O Fundo Estadual de Investimentos e Ações de Segurança Pública e Desenvolvimento Social (FISED) vai receber R$ 80 milhões sequestrados da conta de Jacob Barata Filho, empresário do setor dos transportes conhecido como "Rei dos Ônibus". A determinação da transferência foi dada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, e responsável pelos desdobramentos da Operação Lava Jato no Rio, que atendeu a um requerimento da Procuradoria-Geral do Estado.

Na sua decisão, o juiz Marcelo Bretas afirmou que "não é demais ressaltar a situação caótica em que o Estado do Rio de Janeiro tem vivido nos últimos anos, em muito devido à corrupção sistêmica revelada pelas inúmeras investigações da Força Tarefa da Operação Lava Jato". Bretas alegou também que o estado de penúria do Rio levou à intervenção federal na segurança: "relegada ao descaso dos anteriores governos estaduais e que possibilitou o estabelecimento de um verdadeiro estado de guerra".

O governador Wilson Witzel, que se apresentou como autor do pedido, comemorou a decisão em uma rede social: "O Ministério Público Federal aceitou meu pedido para que os R$ 80 milhões resgatados da Operação Ponto Final, que investigou a corrupção nos transportes públicos, sejam destinados à segurança do Rio de Janeiro. A medida atende uma das minhas prioridades: proteger a população do nosso estado!", disse o governador.

O Fundo de Segurança Pública, que é financiado por 5% dos royalties do pré-sal, foi criado para ajudar a custear reaparelhamento e modernização de órgãos da Secretaria de Segurança. Outro objetivo é auxiliar a financiar programas da área, e de desenvolvimento social.

O Ministério Público Federal (MPF) concluiu que os R$ 80 milhões de Barata foram reunidos quase que integralmente em detrimento do estado. O valor foi sequestrado de Jacob Barata Filho no curso da "Operação Ponto Final", desdobramento da Lava Jato. Em audiência, Barata renunciou ao seu proveito econômico, concordando com a perda dos valores sequestrados de sua conta. Consta no processo que os valores foram repassados à Justiça, através de depósitos feitos por empresas que têm Barata como sócio. Pelo entendimento do MPF, a partir do momento que o réu disponibiliza o dinheiro, os valores voltam a pertencer às vítimas. Neste caso, a população do estado.