Rio

Temporal não vem, mas chuva alaga várias ruas

Justiça determina evacuação de área na Rocinha propensa a deslizamentos

A chuva que atingiu o município do Rio na noite passada e na madrugada de ontem causou menos estragos do que o temporal que castigou a cidade na semana passada. "Houve muita chuva durante a madrugada e no início do dia. O pior já passou, sem os acidentes que tivemos na noite de quarta-feira passada. Continuamos trabalhando muito no Vidigal, a nossa ideia é abrir a Avenida Niemeyer ainda esta semana. Continuamos fazendo obra também em Barra de Guaratiba", disse o prefeito Marcelo Crivella, que agradeceu à população carioca por ter colaborado com as autoridades.

Durante as chuvas na madrugada e manhã de ontem, houve a queda de 20 árvores, sendo que 14 foram retiradas da via pública e o trânsito foi liberado. A maior preocupação foi com relação às favelas da Rocinha e do Vidigal, mais atingidas pelo temporal da semana passada.

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Funcionário da Comlurb faz desobstrução de bueiros na Avenida Francisco Bicalho (Foto: Estefan Radovicz/AE)

Houve vários trechos interditados na parte alta das duas comunidades, com risco de deslizamento de terra e pedras. A Avenida Niemeyer, que liga os bairros do Leblon a São Conrado e passa junto às comunidades da Rocinha e Vidigal, continua interditada desde o dia 6 devido ao deslizamento de terra e pedras sobre a via.

O Centro de Operações da prefeitura registrou no horário de pico, um engarrafamento máximo de 23 quilômetros, sendo que a média das últimas três quartas-feiras foi de 62 quilômetros na parte da manhã. Ontem, a prefeitura e o governo do estado suspenderam as aulas nos três turnos em virtude das previsões de fortes chuvas.

Na terça-feira, como esperado, o volume do acumulado de chuvas foi bem inferior ao registrado no temporal do dia 6: na Rocinha, foram 49,2mm contra 165,6mm da semana passada; no Vidigal, 35mm contra 162,2mm, e na Barra/Barrinha, 36,6mm contra 143,2mm, segundo o sistema Alerta Rio.

Rocinha interditada

Uma área com risco de deslizamento de pedras na favela da Rocinha, terá que ser vistoriada e evacuada pelo poder público, de acordo com decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) em uma decisão cautelar de caráter de urgência. O pedido foi feito pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que afirmou que a situação envolve uma pedra de grande porte localizada no alto do Morro Dois Irmãos.

O MP afirmou que já havia protocolado pedido de providências por parte dos órgãos públicos municipais ao tomar conhecimento da situação, mas não teve notícias de que foram tomadas providências de autoridades estaduais ou municipais "com o fim de garantir a integridade física da população, em caso de eventual deslizamento".

Segundo o MP, a pedra estaria prestes a se deslocar e escorregar pela encosta, "expondo a iminente risco os moradores e várias casas da comunidade localizadas no espectro de rolamento destas pedras".

O pedido chegou ao Plantão Judicial e foi aceito pela juíza Isabel Teresa Pinto Coelho Diniz, que determinou que as autoridades estaduais e municipais "procedam à imediata vistoria no local e evacuação dos moradores residentes na Comunidade da Rocinha e adjacências, que estejam no espectro de rolamento das pedras".

Além disso, a sentença acrescenta que o estado e o município devem promover o reassentamento das pessoas em locais dignos até a remoção das pedras e/ou cessação do período de chuvas.(Com Agência Brasil)