Rio

Estranho no ninho do meio ambiente

Contestada por ambientalistas, nomeação de tenente-coronel para o Inea vira uma confusão de despachos

A nomeação do policial militar Leonardo de Almeida Maia para o cargo em comissão de chefe de serviço da Gerência de Educação Ambiental da presidência do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), causou polêmica entre ambientalistas e estudiosos do setor. Desde que a nomeação foi publicada no Diário Oficial, no último dia 16, os especialistas fizeram críticas à escolha do nome do tenente-coronel que já foi lotado no gabinete do deputado estadual André Corrêa (DEM), preso na operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato, por suspeita de participação em um esquema de corrupção e loteamento de cargos públicos no segundo mandato do ex-governador Sérgio Cabral.

Maia, como é conhecido na Alerj, ocuparia um cargo que tem a rubrica de DAI-6 da Coordenadoria Socioambiental do Inea, da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade. “Ele (Maia) seria responsável pela implementação dos projetos ambientais e educacionais. Tivemos informações da equipe de transição que a gerência nos deixaria otimista, mas quando soubemos do nome do Maia ficamos desapontados. O que adianta ter um bom projeto se quem será responsável por implementá-lo não conhece as políticas públicas e diretrizes necessárias para isso”, criticou uma ambientalista, que preferiu não se identificar.

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Sede do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), na Avenida Venezuela, no Centro: nomeado no último dia 16 para cargo, PM será exonerado nos próximos dias (Foto: Marcos Tristão)

De acordo com uma educadora ambiental, que também pediu para não ser identificada, uma das políticas educacionais da qual o tenente-coronel seria responsável para implementar seria o Programa Estadual de Educação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro, aprovado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente em julho passado. O documento foi construído a partir de um amplo debate com educadores das redes pública e privada de ensino e representantes da sociedade civil. As diretrizes e os objetivos que constam no Programa Estadual de Educação Ambiental vão orientar as atividades pedagógicas, práticas e teóricas, bem como os serviços, ações e atividades de educação ambiental do Estado do Rio.

Durante os últimos dias, a notícia da nomeação de Maia correu em grupos de WhatsApp e os rumores eram de que “A educação ambiental tinha sido esfacelada com a privatização do espaço público” — o comentário fazia referência ao esquema de corrupção e loteamento de cargos públicos que teria movimentado R$ 54,5 milhões entre 2011 e 2014, durante o segundo mandato do ex-governador Sérgio Cabral. As investigações da Operação Furna da Onça mostraram que deputados também usariam nomeações de cargos em empresas e autarquias ligadas ao governo como moeda de troca para interesses políticos.

Imbróglio de publicações

De acordo com a Polícia Militar, Maia é tenente-coronel da ativa e lotado na Diretoria Geral de Pessoal, estando cedido ao Inea. Por sua vez, o Instituto Estadual do Ambiente alegou, na sexta-feira, que já providenciou a exoneração de Leonardo Maia. A publicação seria feita pela Casa Civil nos próximos dias. No entanto, em despacho publicado no Diário Oficial em 22 de janeiro, o Secretário de estado da Casa Civil e Governança, José Luís Zamith, colocou Maia à disposição da Coordenadoria de Segurança da Alerj. A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade não explicou os motivos da escolha de Maia para o cargo nem o de sua exoneração. “O governo do Witzel deve ter avaliado o nome de Maia e visto que não era uma boa opção mantê-lo na Educação Ambiental”, comentou um deputado, que também não quis se identificar.

A primeira baixa do governo Wilson Witzel foi o secretário estadual de Administração Penitenciária (Seap). O coordenador de Saúde Ocupacional André Caffaro Andrade foi substituído pelo coronel da Polícia Militar Alexandre Azevedo de Jesus. Caffaro foi o primeiro agente a assumir a Seap — essa escolha foi uma promessa de Witzel durante a campanha eleitoral para governador e, depois, o governador voltou atrás designando um oficial da PM para o cargo.

A nomeação de Azedo teve apoio de um grupo de deputados estaduais e pode estar ligada às negociações do governador para formar uma base de apoio na Alerj. O coronel é muito ligado ao deputado Marcos Muller (PHS), que tem base eleitoral na Baixada Fluminense, e é cotado para ser o primeiro-secretário da Casa numa possível eleição de André Ceciliano (PT).