Rio

Witzel recua e vai manter Secretaria de Segurança

Governador eleito do Rio anuncia que pasta funcionará temporariamente

O governador eleito do Rio, Wilson Witzel (PSC), recuou, enfim, da decisão de extinguir a Secretaria de Segurança do Rio (Seseg), para assegurar a continuidade das ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Witzel anunciou, ontem, a criação de uma “pasta temporária”, que ficará responsável pela interlocução da pasta com o Gabinete da Intervenção Federal durante a transição, pelo menos, até junho do ano que vem.

No dia 1º, o JORNAL DO BRASIL antecipou a informação de que a decisão de Witzel em desativar a pasta ameaçava a continuidade das operações da GLO e a permanência das forças de segurança do Rio, que poderiam deixar o estado da noite para o dia, neste caso. Braga Netto e Richard Nunes ainda não haviam se manifestado oficialmente sobre a possibilidade, mas já tinham dado o alerta nos bastidores da transição, afirmando que, caso a medida anunciada por Witzel se confirmasse, não haveria mais interlocução possível com as instâncias federais e com o Exército, o que provocaria a retirada imediata das forças.

Já naquela época, Braga Netto e Nunes já tinham deixado claro que não fariam mais nenhuma operação de GLO, se não houvesse um órgão formalmente constituído que coordenasse as duas polícias no estado, porque não pretendiam “ficar falando” com a Polícia Civil e com a Polícia Militar.

No dia 11, durante o fórum do Observatório Militar da Praia Vermelha, na Escola de Comando e Estado Maior do Exército, na Urca, Braga Netto e Richard Nunes criticaram publicamente a extinção do órgão estadual. Os dois lembraram que o plano de transição para a área de segurança contava com a continuidade do organograma da área. No dia seguinte, Witzel reiterou, a decisão, dizendo que “Os interventores trabalham com um modelo que não vem dando certo em lugar nenhum”.

Richard Nunes foi ainda mais direto numa entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” publicada na semana passada, quando afirmou “Nossa preocupação é que o legado da intervenção tenha prosseguimento. O maior risco que corremos aqui é a divisão da secretaria, como pretendido pelo novo governo (do governador eleito do Rio, Wilson Witzel). É como acabar com o Ministério da Defesa. Como acabar com essa estrutura e fazer integração?”.

Na nota divulgada, ontem, Witzel afirma que “o objetivo é tornar a transição ainda mais integrada e transparente. A estrutura temporária vai durar até junho, quando a intervenção, por meio de um gabinete instalado no Comando Militar do Leste, concluirá a consolidação das aquisições com recursos federais que estão sendo empenhados até 31 de dezembro de 2018”.

O engenheiro civil Roberto Mota, que atua na área de segurança pública como consultor desde 2007, será nomeado secretário.