Rio

Witzel: Dificuldade para fechar nomes

O governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), anunciou, ontem, também, outros cinco nomes de integrantes da sua futura gestão. Ao todo, já foram escolhidos 11 titulares de pastas ou órgãos.

A equipe de transição tem tido dificuldade para escalar o time do primeiro escalão, em virtude da baixa remuneração dos cargos, do fato de o novo governador ser pouco conhecido e de suas declarações sobre segurança pública terem deixado “cabreiros” possíveis quadros.

Na semana passada, Bruno Funchal, atual secretário da Fazenda do Espírito Santo, declinou do convite para assumir a pasta, no Rio de Janeiro. A economista capixaba Ana Paula Vitali e o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o economista Paulo Rabello de Castro, filiado ao PSC do governador eleito, também teriam recusado o cargo.

Witzel tem recorrido a amigos para tentar ocupar as pastas do futuro governo. Até um sócio fará parte da equipe. Dos anúncios feitos ontem consta o nome do advogado Lucas Tristão. No perfil divulgado pela assessoria da transição a respeito do futuro Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego e Renda (novo nome da pasta Trabalho e Renda ) não consta a informação de que o tributarista é sócio do governador eleito em um escritório de advocacia. Diz apenas que ele é especialista em recuperação de empresas e administração de passivo fiscal e que se formou na Universidade de Vila Velha (ES), onde foi aluno do então professor Wilson Witzel.

Questionado sobre o fato, o governador eleito respondeu, por intermédio de uma nota enviada pela sua assessoria que “o advogado Lucas Tristão é um profissional com preparo técnico para ocupar a nova Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego e Renda”. Sobre a sociedade de ambos, diz a nota: “O governador eleito Wilson Witzel se desvinculará dos escritórios e de todas as suas funções profissionais até a data de sua titulação, como determina a legislação. O mesmo será exigido de todos os seus secretários até as suas respectivas nomeações”.

De acordo com reportagem do jornal “Folha de S. Paulo”, Tristão se tornou sócio de Witzel em um escritório de advocacia no Espírito Santo, durante a campanha eleitoral. Na mesma época, o advogado passou a defender uma empresa que fornece mão de obra terceirizada para o Estado do Rio: a Átrio Rio, ligada ao empresário Mário Peixoto, citado em delação sobre corrupção no Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O atual coordenador-geral da transição, José Luís Cardoso Zamith, será o secretário de Governança (ex-Casa Civil). O cargo de Controlador-Geral do Estado ficará com o delegado da Polícia Federal Bernardo Cunha Barbosa, que atuou na condução de investigações de desvios de recursos públicos no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais. A Procuradoria-Geral do Estado será ocupada pelo advogado e atual integrante dos quadros da PGE Marcelo Lopes da Silva, que participou da campanha de Witzel. A Secretaria de Defesa Civil e Corpo de Bombeiros continuará sob o comando do coronel Roberto Robadey Jr.