Pag. 11 - Calçada ocupada sabe-se lá até quando

Seop tolera e não encontra solucão para o problema apesar do medo e da preocupação, angélica marques cardozo, 21 anos, vê-se obrigada a caminhar pela rua com sua filha de apenas quatro meses no colo. segundo ela, é impossível utilizar as calçadas, que ficam tomadas pelos camelôs e seus clientes.

– a muvuca torna as calçadas intransitáveis. acho um absurdo ter de me expor aos ônibus e carros. e ninguém faz nada – denunciou.

Vista grossa e, se depender dos órgãos públicos, a situação das calçadas e da espera dos camelôs não tem prazo para acabar. de acordo com nota da secretaria especial da ordem pública (seop), “existe um projeto aprovado para o assentamento daqueles ambulantes”. no entanto, sua execução depende da dona do terreno, a compa nhia de desenvolvimento rodoviário e terminais do estado do rio de janeiro (coderte), que deveria recuar o muro metálico que cerca o perímetro do espaço em 2,5 metros. só que o local será usado para dar apoio às reformas do túnel joão ricardo, que liga o centro à gamboa.

Em fevereiro a empresa estadual usará seu espaço para ampliar o terminal rodoviário américo fontenelle. “enquanto isso, está existindo uma tolerância até que seja feita a reforma do camelódromo perto da central do brasil, onde serão acomodados aqueles que trabalhavam no local onde pegou fogo”, concluiu a nota da seop, famosa pelo choque de ordem nas calçadas da cidade.

O camelô josé aílton herculano, 44 anos, que perdeu seu box no incêndio do antigo camelódromo, avaliou como “angustiante” sua situação.

– sinto-me de mãos atadas, sem ter para onde ir. as condições de trabalho aqui são péssimas. quando chove, não vendemos nada. na hora do rush , ninguém consegue parar na frente da banca, a multidão não permite – desabafa. – mas o pior são os pedestres “p” da vida com a gente por estarmos na calçada.

O comerciário rafael moscoso, 25 anos, morador em santa cruz, testemunhou e foi vítima da ocupação das calçadas pelos camelôs. segundo ele, é comum “esbarrar nas barracas e pessoas levarem susto quando andam no meio da rua”.

– uma vez derrubei um monte de guarda-chuvas no chão. o pior é que o cara ainda ficou bolado comigo – divertiu-se. – sem falar no monte de batidinhas de trânsito que já teve aqui porque os motoristas têm de se desviar dos pedestres.