A Lapa do Desterro

ALapa, umdos bair- ros mais conheci- dos do Rio, entra na história de modo bastante anônimo,na verda- de, reduzindo-se a um simples caminho até o rio Carioca, no Flamengo,onde seobtinha água potável. Pouca gente ali morava, pela vizinhança incô- moda da pouco salubre lagoa do Boqueirão (ondeé o Pas- seio) e seus mosquitos. A esparsa ocupação e proxi- midade com o centro favorece- ram o projeto do padre Ângelo de Siqueira: criarum seminá- rio de religiosos, incluindo uma capela em louvor de Nossa Se- nhora da Lapado Desterro, obra iniciadaem 1751.O ter- reno havia sido doado anos an- tes porAntônio Rebelo,pro- prietário da Chácara das Man- gueiras, posteriormente vendi- da ao governador Gomes Frei- re. A instituição formou vários religiosos, tendo como um de seus professores o padre Pere- reca (Luiz Gonçalves dos San- tos). Em 1773, foi construída ao lado a capela da Irmandade do Espírito Santo da Lapa do Des- terro, pertencente à Ordem do Carmo, cujas festas do Império mobilizavam a cidade. O templo deuvida nova ao local, tornando-se ponto focal da pequena mas crescente co- munidade, e, como esperado, transmitiuseu nomeaobair- ro, doravante conhecido como Lapa. Aárea aoredor, antes chamada deCampo dosFor- migões, gozação criada a par- tir daroupa escurados semi- naristas, quefazia parteda a paisagem, passou a ser o Lar- go da Lapa. A inauguraçãodo Passeio Público em 1783, empreitada do vice-rei Luís de Vasconcel- los, valorizaria e mudaria por completo os arredores. Sobre o aterro da lagoa do Boquei- rão,Mestre Valentimcria um dos mais belos jardins da cidade,espécie deparaíso tropical em miniatura ador- nado com obras de arte, que tornou-se a principal atra- ção da época. A situação doseminário e seu templomudaria apósa chegadada corte,em1808, pois os carmelitas, desaloja- dos de seu convento na Praça 15,acabaram indoparalá em1810, apóscurtaestada nosBarbonos (naRuaEva- risto da Veiga). O seminário virou convento, e a capela de Nossa Senhora do Desterro passou a ser a Igreja de Nos- sa Senhora do Carmo da La- pa. Oconvento originalfoi destruído emum incêndio em 1959. A velha igreja continua co- mo pontode referência,ten- do resistido àgrande devas- tação de 1974, quando grande parte do bairro desapareceu sob as picaretas dos gênios ur- banísticosde plantão.Sua presença lembraa história deste trecho pitoresco, deven- do ser protegida da especula- ção imobiliária e seus prédios monstruosos eimpessoais que brotamao redor,amea- çando aintegridade visuale estética do largo.

Repr odução

LEMBRANÇA

– A histórica Igreja da Lapa na época de dom João VI