Pai que abusou da filha de 5 anos perseguiu conselheiro tutelar que o acusou

Não faltam exemplos para ilustraras estatísticasdaSe- cretaria Nacionalde Direitos Humanos no estado do Rio de Janeiro. Teve procuradora que espancou um bebêde dois anos deixando seusolhos ro- xos; a meninaJoanna de 5 anos, que morreu após ser tor- turada pelo pai e pela madras- ta; a garota de 9 anos estupra- dae mortanoMorro daPro- vidência (Zona centralda ci- dade), e o abuso sexual come- tido por uma professora de ma- temática contra uma aluna de 13 anos, na Zona Norte. Parao conselheirotutelar Edmílson Ventura, que cuida de casos de violência contra criança em 18 bairros da Zona Sul,o costumeestáarraigado na cultura do brasileiro. – Combater a agressão tem sido difícil porque, neste país, o tapinhanos menores estáatrelado àculturadas pessoas– sentenciouocon- selheiro tutelar, que trata de 30 a 50 casos de violência por dia.– Criançaprecisade

MALDADE

– O abuso contra crianças que vivem nas ruas é comum, e a adoção é uma das soluções

amor, proteção e limite, e não de cacetada e pancada. Segundoele, ascrianças que vivem nas ruas estão em uma situação de maior vulne- rabilidade, principalmente, no quediz respeitoà explo- ração sexual. Segundoo tambémconse- lheirotutelar HernaniGue- des,queatua nosbairrosde Vila Isabel,Tijuca eAndaraí, háuma alternativaparapro- teger meninose meninasque vivem pelas ruas da cidade: – Aadoção estáresolvendo 90% dos casos de abuso na re- gião da Grande Tijuca.

Em família

Um dos casos que mais emo- cionamo conselheiroEdmíl- son Ventura é o de uma criança de 5 anos que sofria abusos do próprio pai. – Fui muito pressionado pelo pai abusador. Depois que o de- nunciamos, ele passou a me se- guir napraia, nosupermerca- do, em todos os lugares que eu ia–contou Ventura.–Eleto- mava banho com sua filha e abusava dela com frequencia até serdescoberto epegar 12 anos de prisão. SegundoVentura, oscasos de maustratos eviolência se- xual contracrianças nãosão exclusividade daquelesque têm baixo poder aquisitivo. – Há muitoscasos de pais, avôs e padrastos de classe média e média alta que abu- sam de seus filhos, netos e en- teados– declarouGuedes.– A diferença é que nas classes baixasé maisfácilidentifi- car o crime.

Prefeitura atende

A SecretariaMunicipal de Assistência Social (SMAS) re- cebe 220 criançasa cada mês nos Centros de Referência Es- pecializados deAssistência Social (CREAS) que tenham sido vítimas de violência. Segundo a SMAS, as vítimas sãoacolhidas peloPrograma Família Acolhedorae ficam abrigadas até que seja possí- vel retornar ao lar de origem. A famíliada criançatambémé assistida pela secretaria.

12 anos

de prisão foi a pena para um pai que tomava banho e abusava da filha de 5 anos

29,79%

foi o percentual de aumento dos crimes contra crianças no Rio entre 2009 e 2010

Rafael Moraes/ 11.07.2010/ Arquivo CPDoc