Turano pede socorro

Rio

José Luiz de Pinho

As oitocomunidades que compõem o Complexo do Tu- rano, no Rio Comprido, não pe- dem mais socorro à polícia com medodos traficantes.Caçula das 12 favelas que já ganharam Unidades de Polícia Pacifica- dora (UPPs), oTurano agora cobra projetos sociais que ate- nuemas carênciasdeseus mais de 26 mil moradores. –Chegou aUPPe só.Balcão de empregos, projetos de espor- tes para as crianças e posto de saúde, nada – reclama Cláudio Ramos, presidente da Associa- ção de Moradores da Matinha. – Se alguémpassa maltem que ser carregado para a UPA (Uni- dade de Pronto Atendimento), lá na PraçaSaens Peña. Mer- cado,sóno LargodaSegun- da-Feira, e farmácia não há. Matinha, Chacrinha,Suma- ré, Pedacinho do Céu, 117, Ro- do, Liberdade e Paula Ramos são as oito comunidades do Tu- rano, e reclamaçõesnão fal- tam, já que a UPP foi instalada há mais de um mês, no dia 30 de setembro. –A fiaçãodaLighté velhae não há manutenção. Tem postes queparecem ninhosdepássa- ros, de tantos fios embolados – critica Socorro de Maria, presi- dente da associação do Sumaré e Rodo. – A Cedae não está nem aí. A água não chega ao Sumaré etemos querecorrera umre- servatório natural, que para de dar água quando não chove.

Risco iminente

OTurano sofreucom otem- poral de abril: 15 casas desaba- rame quatrocriançasmorre- ram soterradas no Pedacinho do Céu. Uma dascasas condena- dasé adeVeraLúcia daCosta Sena, 63 anos,que está ampa- rada por estacas. Mesmo assim, ela continua morando no case- bre com a neta Laila, 6 anos. – Isso aqui não é Pedacinho do Céu, é pedacinho do infer- no. Desde abril estou esperan- do a prefeitura dar solução pa- ra o meu caso – reclama Vera, agarrada à neta. – Sem ter para onde ir, vamosficando por aqui até quando Deus quiser.

“PEDACINHO DO INFERNO”

Um mês após a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora, moradores cobram programas sociais no morro

Continua na página seguinte.Vítor Silva

ESPERA

– Sem ter para onde ir, Vera insiste em morar com a neta na casa condenada