Sem teto,mas no paraíso

-->ORDEM PÚBLICA-->Mendigos tomam conta do Par que do Flamengo e fazem até acor do com o MAM-->José Luiz de Pinho-->Eles têm como vizinhos a ar - te, o poder e a nobr eza, mor am de fr ente par a a bela vista da Baía de Guana bar a e usufruem da calmaria da imensa ár ea v er - de que cer ca a Marina da Glória. Sentem-se mendigos apenas na condição social, mas feliz es por curtir em diariamente a natur e - za do P ar que do Flamengo . O bosque de palmeir as entr e o Museu de Arte Moderna (MAM) e o Mon umento aos Pr a - cinhas é um g r ande dormitório a céu a berto . São os sem-teto que di videm o mesmo espaço onde, à fr ente deles, flutua, an - cor ado , o Pink Fleet, um dos iates do mega empr esário Eik e Batista. Muitos c hegar am de outr as ci- dades. Como Mar cos de Souza, 32 anos, que nasceu em Niterói, mas vi v e no local há no v e anos. Ca- tador de latas e la v ador de carr os, entr e uma e outr a tar ef a, ele se r efr escar , tomando um banho com a água do laguinho do MAM, que, também, costuma usar par a la v ar r oupas. – P osso ser um dur o , mas sou mais feliz que o dono desse iate aí. T enho liber dade par a andar onde quer o . Já ele vi v e cer cado de segur anças – compar a Mar - cos, contando os tr ocados que f atur a nas duas funções. – Não pr eciso de m uito pr a vi v er , não . Dando pr a comer , tá tudo certo . Saúde, g r aças a Deus, eu tenho de sobr a. De r epente, sur ge um carr o de patrulhamento da Guar d a M uni- cipal. Os guar das passam perto dos mendigos, mas não os impor- tunam. Mesmo le v ando em conta que alguns deles esta v a m deita- dos sobr e os bancos do par que. – Eles (guar das) não podem f az er nada com a gente, por que não estamos f az endo nada de - mais. Não estamos assaltando , nem r oubando ninguém – de - fende-se Hilário F irmino da Sil - v a, 37 anos, nascido em P etr o - lina, P ernambuco , e que vi v e no par que há quatr o anos. A pr esença dos mendigos na ár ea é uma contr adição com a imponência do Museu de Arte Moderna. Mas, par a não ser em e xpulsos do local, eles pr ocur am não criar pr oblemas. – Em dia de festa no MAM, quando v em m uito g rã-fino aqui, o pessoal do m useu pede que a gente dê uma sumida – admite Mar cos de Souza. – Cola bor amos n uma boa, por que não quer emos per der nosso espaço .-->Histórias e saudades-->A r elação entr e os mendigos é harmônica. V izinhos na pobr eza, eles matam o tempo contando suas histórias. Como a que o gar- çom desempr egado , Ale x Mesqui- ta, r e v ela ao -->J ornal do Brasil -->. -->– V im de Br asília há dois anos tentar a sorte aqui como garçom, mas está difícil arr anjar empr ego nesta cidade – admite Ale x, 33 anos, que deixou a m ulher e uma filha na capital feder al. – V ou ficar por aqui mais um mês. Se não conseguir na - da, v olto pr a perto da f amíla. O cear ense Ed v aldo Ribeir o , 40 anos, também vi v e um dr ama. – P er di minha m ulher há seis anos e vim par a o Rio tentar a sorte como pedr eir o . Arrumei al- guns bicos, mas f oi só.-->Prefeitura diz que fará operações na área do Aterro-->A Secr etaria Municipal de As- sistência Social (SMAS) inf or- mou que intensificará o m onito- r amento dos mor ador es de rua na ár ea do MAM. E f ala do pr ojeto Dando Asas ao Futur o , que a bor- da e encaminha crianças, adoles- centes e adultos de rua à Rede de Pr oteção Social do m unicípio . A nota en viada ao -->JB -->diz: “Os educador es sociais monitor am o local de domingo a domingo , das 7h às 21h, e identificam a po- pulação de rua. São homens adul- tos, de 22 e 45 anos, de m unicípios da r egião metr opolitana do Rio , e r esistentes a qualquer tipo de en- caminhamento ofer ecido pelos pr ofissionais da SMAS”.-->GM e Seop só atuam se solicitadas-->A Guar da Municipal emitiu nota também e x plicando que não tem poder par a tir ar os mendigos da rua: “Os guar das são orientados a a bor dar os mor ador es de rua sem - pr e que esti v er em utilizando ina - dequadamente o espaço público , deitando n os bancos. A GM-Rio atua quando solicitada, em con - junto com a Secr etaria Assistência Social”. O mesmo acontece com a Secr etaria de Or dem Pública n as oper ações de acolhimento .-->CENAS -->– O banho matinal de Mar cos de Souza, o cochilo dos outr os três par ceir os, o car r o da Guar da Municipal e o iate de Eike Batista-->Continua na página seguinte.